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20 de dez. de 2009

Kokia - Arigatou




Tradução:

Todo mundo perde algo,antes de ao menos perceber
De repente eu percebi que voce não está mais aqui
Deixando para trás apenas memórias
Entre os momentos felizes,nós perdemos nossas palavras
Assim como as bonecas
Assim como todos os gatos perdidos na esquina da rua
eu ouço um grito silencioso

[refrão]
Se eu pudesse te encontrar mais uma vez
eu queria dizer apenas uma palavra: obrigada,obrigada

Mesmo me machucando as vezes,eu quero continuar sentindo voce
Pelo menos eu tenho minhas memórias para me confortar,
eu sempre terei voce aqui

[refrão x3]
Se eu pudesse te encontrar mais uma vez
eu queria dizer apenas uma palavra: obrigada,obrigada

Mesmo me machucando as vezes,eu quero continuar sentindo voce...

Epílogo

— Idiota! Como pude ser tão trouxa! Todos os homens são iguais! —, dizia a mim mesmo a semana inteira.

Joguei suas coisas no lixo, apaguei todas as suas fotos, meu tornozelo estava todo machucado de tanto esforço que fiz para arrancar aquela droga de minha perna o mais rápido possível. Não sentia vontade de fazer nada, já havia apagado ele de minha memória, os únicos resquícios de vida que me ligavam a ele era no mundo virtual que estava prestes a terminar. Era só o que me faltava, literalmente excluí-lo de minha mente.

Login...! Senha...! Introduzi minha senha no Orkut e então fui rapidamente para os meus amigos, nem esperei a minha pagina inicial carregar direito, digitei “Rafael”, e entrei no perfil do infeliz. “Remover da minha lista de amigos”, estava feito, agora já não tínhamos nenhum elo tanto físico quanto virtualmente, e em breve apagaria seus amigos de minha vida. Já que estava no perfil do infiel, seria mais rápido, mas algo começou a chamar minha atenção, nos perfis de seus amigos ao invés de fotos havia uma cor somente preta, algumas com os dizeres LUTO!

Fiquei curiosa e então cliquei em um destes perfis de luto aleatoriamente, já que não conseguia identificar quais eram seus amigos, e junto com os dizeres de luto aparecia o nome de algum Rafael junto. Desci um pouco seu perfil pela barra de rolagem, para confirmar se era ele mesmo, dito e feito. Mensagens profundas de saudades, de tristeza, algumas chegavam a comover, olhei perplexa para aquilo, não acreditava no que via, então comecei a me lembrar dos nossos últimos momentos, sua pele pálida com olheiras enquanto estávamos a caminho do aeroporto, e quando ele tossiu sangue na Alemanha, tudo começava a se encaixar, mas não conseguia entender. Por quê não me falou nada, ele sabia que se falasse eu estaria ao seu lado em seu leito de morte, logo fiquei confusa e com o peso na consciência tanto em ter jogado suas coisas fora, quanto a surra que tinha tomado de meu irmão imagino que isso só fez apressar sua morte. Tentava chorar, mas algo me impedia, deveria ser algo semelhante quando se está diante de um perigo e ao invés de correr, a pessoa fica estática no lugar.

— Margareth! —, gritei, pensando como ela deveria estar se sentindo agora que estava sozinha. Liguei imediatamente para sua casa.

— Alô? —, disse ela.

— Oi Margareth, sou eu Sofia, em primeiro lugar meus pêsames, só fiquei sabendo hoje, como você está? Precisa de alguma ajuda?

— Olá Sofia, obrigada, estou bem sim, os primeiros dias foram difíceis, é estranho limpar o quarto dele, e perceber que no dia seguinte está intocável, do mesmo jeito, sem nenhum sinal de bagunça, ainda não me acostumei com essa idéia —, dizia ela aparentemente calma, mas consegui ouvir algumas fungadas ao telefone características de alguém que segura o choro.

— Pensei que você já sabia, mas estou bem sim, vem aqui um dia desses, enquanto você me fala como o Rafael era quanto estava ao seu lado, eu lhe mostro o álbum de fotografias do meu beb...! —, foi interrompida pelo choro, comecei a chorar junto com ela, mas então ela recuperou o fôlego e disse que estaria bem sim, que era para não me preocupar.

Aos prantos, dei uma olhada nos meus recados e vi que alguém tinha me deixado um vídeo que redirecionava ao You Tube. Cliquei o mais rápido possível e para minha surpresa era o próprio Rafael que estava no vídeo.

“Oi Sofia, se você estiver vendo isso, possivelmente estou morto, a não ser que algum engraçadinho chamado Fabio colocou o vídeo antes da hora. Antes de te conhecer eu até acreditava naquela célebre frase “Se me derem o supérfluo dispenso alegremente o essencial" do Oscarzão como eu gosto de chamar um de seus poetas favoritos, e mesmo sem conhecer essa frase, eu vivia disso como uma filosofia de vida, não por acaso repeti muitos anos renegando o “essencial”, pensava apenas em fazer amizades, em conquistar as garotinhas, ou seja, algo “supérfluo”. Mas então conheci você, com seu jeito independente de ser, com sua postura de garota forte, que não deixava se intimidar com nada e nem por ninguém, e aos poucos isso foi me conquistando cada vez mais, como já lhe disse muitas vezes. O que eu não disse, até porque imaginei que viveria por mais tempo, foi obrigado. Por ter me transformado em alguém melhor, por ter me incentivado e também me instigado a sempre aperfeiçoar meus conhecimentos, minhas qualidades, com você descobri coisas que jamais descobriria anteriormente, você fez com que eu adquirisse cultura seja me mostrando livros que traziam uma mensagem significativa, peças de teatro, shows, enfim você praticamente foi a minha “Virada Cultural”. Lembro das horas que passávamos discutindo sobre os autores de livros tanto os antigos quanto os modernos como Stephen King, Dan Brown, Stephenie Meyer, etc.

Você me deu uma nova vida, os seis meses que ficamos juntos foram acho que uns 50 anos se for comparar a vida inútil e ilógico que levava. Ao mesmo tempo que a agradeço, peço desculpas por não ter conseguido realizar todo os seus sonhos, mas ao menos me esforcei, queria muito ter me casado com você, constituir uma família, e mesmo quando ficasse velho e rabugento ainda estaria ao seu lado, pois eu não tinha sonhos, meu único sonho era conhecer alguém que me entendesse, que me amasse, e guardava secretamente isso dentro de mim, fico muito feliz em ter conseguido realizar meu sonho, de nossas vidas terem se cruzado.

Não lhe disse nada, porque tinha medo de que você se matasse por minha causa, me “matava” só de pensar nisso, desculpe se acabei agindo de má fé com você, não queria que corresse esse risco. Já estou indo, quero que saiba que foi uma experiência maravilhosa, e como já lhe disse ganhei uma nova vida, renasci ao seu lado, estou morto porém feliz em ter realizado meu sonho, em ter vivido com ele lado a lado, e espero que você realize os seus também junto de alguém que a ame, mas aposto que ele não vai conseguir te amar, te enxergar do jeito que eu te enxergo, é uma pena que não estarei aqui para receber o prêmio da aposta, qualquer coisa pode entregar para o Fabio.

Antes de terminar quero deixar uma musica que traduz bem à sensação que quis transmitir nesse vídeo, chama-se “Kokia – Arigatou”. Adeus Sofia te amei na minha vida e tenho a total certeza de que meus últimos pensamentos da minha ultima fagulha de vida que percorrer em minhas veias, será para você, minha eterna salvadora. Te amo!”

Comecei a chorar, começou a ficar mais intenso na medida em que lia a tradução da musica que meu amor havia me mandado, comecei a soluçar de tanto que chorava e então só imaginei que tudo o que ele tinha feito foi para me preservar, acho que se ele tivesse me falado com antecedência, morreria junto com ele, não sei muito bem ao certo, mas também tenho que agradecer muito a ele, aos seus conselhos, dizia que a amizade era a coisa mais importante da vida, mais importante até que o amor entre casais. E é com as palavras dele que vou carregar isso como filosofia de vida.

Eu e minhas amigas brincávamos de falar por código, apostávamos se encontraríamos o nosso C.C.S.L.E., que nada mais era do que as características que um garoto precisava ter.

O primeiro “C” era o de carinhoso, que no caso era o mais fácil de achar já que até mesmo os cafajestes têm seu ar carinhoso e dócil, mas com o tempo você percebe que ele é carinhoso com todas.

O segundo era de compreensível, alguém que aceitasse uma reclusa como resposta.

O “S”, de sensível, já que os garotos mesmo em pleno séc. XXI carregam consigo mesmos essa tolice de que homem não chora. É difícil encontrar algum que esteja disposto a desistir de tal orgulho.

O “L” de leal, não apenas na questão de ser fiel ou não, mas alguém que segurasse a onda, alguém que ficasse do nosso lado mesmo com as torturantes cólicas menstruais.

O “E” de estética, não precisa ser necessariamente bonito, mas cheiroso e bem arrumado toda garota gosta, mas sinceramente o meu era um tremendo gato por natureza.

Posso dizer com um vasto sorriso no rosto apesar das lagrimas que encontrei meu C.C.S.L.E., é uma pena que ele se foi tão cedo, mas vai estar sempre aqui no meu coração, nos meus pensamentos e em meu tornozelo.

Sai da sacada e então olhei para o céu estava um azul límpido, com nuvens brancas e um sol maravilhoso e instintivamente gritei bem alto:

— EU TAMBÉM TE AMO!!!”

FIM

15 de dez. de 2009

Nickelback - Someday

Mariah Carey feat. Westlife - Against All Odds

Capítulo 10 – Despedida!

Não conseguia acreditar, fiquei sem dormir naquela noite.
Comecei a pensar em meus amigos, em minha namorada e em minha mãe.
Acordei cedo e fui trabalhar.
— Chefe, preciso falar com você.
— Pode ser depois do horário?
— Claro que sim.
Quando acabou o horário, disse a ele que precisava me demitir.
— Como assim?
— Não fale a ninguém, mas estou muito doente e só tenho mais três meses de vida. Mas por favor não conte a ninguém, muito menos a Sofia.
— Tá certo, essa me pegou de surpresa, nem sei o que dizer, mas se você vai partir dessa pra melhor só daqui a três meses, por que você esta se demitindo tão cedo?
— Quero aproveitar a vida, aproveitar meus amigos o máximo que puder, aproveitar cada centelha de vida que ainda tenho. —, estava com lágrimas nos olhos só de pensar como seria difícil falar com Sofia, criamos um elo muito forte entre nós.
— Bom, foi um prazer conhecê-lo.
— O mesmo, quero “vê-lo” em meu funeral —, disse a ele tentando descontrair um pouco, afinal além de chefe tínhamos nos tornado amigos. Ele mostrou um sorriso amarelo, nem preciso dizer que fui infeliz tentando animá-lo.

Como já não tinha mais emprego, fui até o banco retirar todo meu dinheiro, e o de minha poupança, fui até a faculdade cancelar minha matricula, não valeriam mais nada o mês de fevereiro, afinal estaria morto mesmo.
Fiz um trato com Sofia, disse a ela que queria ficar mais tempo com meus amigos um mês, com a desculpa de que estávamos muito juntos e achei que precisávamos ver mais nossos amigos, já que o mês de dezembro era o melhor, mas que em janeiro eu viajaria com ela para a Europa.

Convidei alguns amigos da minha faculdade para conhecer melhor meus velhos amigos, e durante o mês inteiro de dezembro viajamos pelo Brasil inteiro, parecíamos estudantes prestes a concluir o ano colegial que viajavam para Porto Seguro, com uma mochila amarela.
A primeira pergunta que me faziam era do por que não trouxe Sofia junto, expliquei a eles do nosso trato. Passamos o réveillon no Balneário Camboriu, os fogos de artifícios eram lindos com seus reflexos aparecendo na água límpida da praia. Liguei para Sofia do celular de Fabio e a desejei um Feliz Ano Novo, e que estava sentindo sua falta. A resposta dela foi recíproca, e fiquei pensando comigo, que não teria um Ano Novo, somente alguns Meses Novos.
Chamei Fabio de lado e disse que precisava falar seriamente com ele.

— Cara, preciso de uma ajuda!
— Pode falar Rafa!
— Não fale para ninguém, mas eu estou com câncer e já está em um estágio avançado, não tenho mais chances, quero que você grave um vídeo e poste no You Tube, somente no momento em que eu morrer, e outra coisa não fale nada para Sofia.
— Ta de tiração comigo?
— Sei que adorava zoar, mas é sério senão teria chamado Sofia para vir aqui eu amo aquela garota, e é por isso mesmo que ela só saiba no momento certo.
— Mas você nem vai contar prá ela?
— Não! Temo pela vida dela, mesmo se de repente ela disser que não morreria por mim ainda não posso correr o risco, afinal não vou estar mais aqui para vigiar seus passos, quero que ela tenha um futuro, não quero que ela se suicide por mim. Por isso vou terminar com ela, no momento final de meus dias.
— Ficou louco? Bebeu? Cheirou? Você vai decepcioná-la do mesmo jeito.
— Sei que sim, por isso vou terminar de uma forma que ela não queira nem me ver nem saber dos meus amigos, mas infelizmente com essa Internet e tudo mais, imagino que a verdade virá à tona mais rápido, já estou imaginando ela se desesperando jogando todas as nossas lembranças fora, xingando-me aos montes, e então ela começa a ir no Orkut e então vê uma imagem de perfil toda preta dizendo Luto em seu nick, então descobrira o verdadeiro motivo. Por isso quero que você faça esse vídeo comigo.
— Então por isso que você gastou aos montes com essa viagem! Tá certo vou te ajudar mas se ela vir me perguntar algo eu vou falar hein?
— Valeu cara, quando eu partir, vou falar para o Yusuke que você é um grande fã dele. —, Yusuke é um personagem de um anime que o Fabio adora, e este cara vive indo e vindo para o “Mundo Espiritual”.
Fabio deu sua velha gargalhada, e então no outro dia pegamos o avião de volta para casa. Nos despedimos e cada um foi para sua casa, Fabio me deu um efusivo abraço, era o único que sabia e havia pedido para guardar segredo.

Cheguei em casa, minha mãe tinha deixado minhas malas em cima da cama, já estava tudo arrumado.
— Tem um estojo de maquiagem dentro. —, ela me alertava.
— Estojo? Ficou doida?
Ela levanta-se com um espelho de mão apontado para mim, estava com olheiras e com a cara pálida, a doença começava a se espalhar. Então entre lágrimas nos despedimos.
— Eu vou voltar mãe não precisa ficar assim!
Ela assentiu com a cabeça e então fui até a casa de Sofia.

Pegamos um taxi, até o aeroporto.
— Estava com saudades amor, estou tão ansiosa por essa viagem! O que houve com seu rosto?
Tinha me esquecido de passar maquiagem, então disse que não tinha dormido no réveillon.
Perguntei a ela como tinha sido suas férias, ela me disse com detalhes, que foram a um acampamento, a diversas festas, de debutantes, de fantasia, do brega, do pijama, etc. Disse inclusive que tentaram ficar com ela, mais de uma vez, porem ela se esquivou dizendo que estava comprometida, enquanto eu ria da situação.
— Que bom que se divertiu, fico feliz! Mas esses carinhas não são páreos para mim, era só eu mostrar o tamanho da minha “ferramenta” para eles, iam ver só.
— Duh, convencido! Pelo jeito você continua o mesmo! E as suas férias como foram? Já se encheu de mim?
— Claro que não minha “magrelinha”, foram boas, mas sempre que via os casais lembrava-me de você —, disse a ela enquanto fazia cara de pidão.
— Magrela o caramba! Bom... Antes magrela do que gorda! —, falava ela enquanto me sacudia.

Chegamos ao aeroporto, conversamos sobre as noticias que aconteceram durante o mês em que não nos vimos. Sobre as curiosidades dos países em que viajaríamos, ela sabia mais, pois sempre foi educada em escolas particulares.
Nosso avião chegou rápido, ela estava cansada, odiava acordar cedo e então brevemente dormiu aninhada a mim. Tentava esquecer que meus dias estavam contados, mas com ela ao lado era difícil justamente ela que seria a maior vítima de mim, vítima das minhas mentiras, mas não me importaria se ela me achasse o antagonista desta história, contanto que ela estivesse segura e se possível longe de mim. Cai no sono em um certo momento da viagem, quando acordamos o avião já havia chegado.

Nossa primeira parada seria na Itália, combinamos de ficar sete dias em cada país. Visitamos os mais variados pontos turísticos, o Coliseum, a Torre de Pisa, a cidade de Veneza, até mesmo lugares não tão conhecidos mundialmente como Villa Lante e o Palácio de Caserta. Nossa estadia lá foi maravilhosa, talvez a Itália fosse um dos lugares mais atrativos na questão de arquitetura em que iríamos, provamos a culinária italiana, já conhecida por nós, porém do jeito deles era bem melhor. Sempre tomando cuidado para me maquiar e fazia o maior esforço para não ter as crises de tosse que começaram a ficar cada vez mais constantes. Tiramos muitas fotos do lugar, com Sofia “metendo a mala” com seus óculos escuros, enquanto dizia que parecia uma perua. Mas depois o feitiço virou contra o feiticeiro e tive que por os meus, odiava utilizar qualquer tipo de acessório, desde relógio até óculos escuros, mas não pude negar que ficava um tesão com eles. Alem disso conhecemos as fabricas da Ferrari, Lamborghini, alem de passarmos em um shopping para Sofia comprar roupas de marcas famosas como Armani, bolsas da Prada, e calças Dolce & Gabbana.
Fiquei mais calmo, ao ver que Sofia não desconfiava de nada.

Próxima parada, Alemanha. Muro de Berlim, Museu da BMW e Catedral de Colónia foram alguns dos lugares em que fomos. O ponto mais forte da Alemanha eram suas festas, além das fábricas de cervejas. Sofia estava amando cada lugar, cada refeição, casa fotografia estava ansiosa, chegava a doer ver que eu a colocaria tão para baixo, e para piorar a tosse e os sintomas ficavam cada vez mais forte, agora o catarro começava a sair com sangue misturado.
— Amor, você esta bem?
— Deve ser o ar daqui, não precisa se preocupar. —, era tão doloroso mentir para aqueles olhos esmeralda.
Após esse pequeno imbróglio, chegamos até nosso próximo destino: Espanha.

Na Espanha conhecemos as cidades mais características como Madri e Barcelona, e aprendemos a dançar tango e bolero, e visitamos praias maravilhosas das quais não guardei o nome. Sofia estava no clima, treinando seu espanhol que aprendera nos tempos de escola. Coincidentemente na Espanha foi o lugar aonde fizemos amor loucamente de uma forma picante, e selvagem, parece que aquele país exalava sensualidade. Apesar da doença, me esforçava nas noites mais íntimas, para pelo menos proporcionar a ambos uma noite maravilhosa.

Último país foi a Inglaterra.
Visitamos as universidades de Oxford e Cambridge, vimos vários daqueles ônibus de dois andares, achamos engraçado os guardas com aqueles chapéus esquisitos, além da diferença entre o inglês falado aqui e o inglês que estávamos acostumados. Conhecemos a cidade aonde nasceram os Beatles, Liverpool, além da capital Londres e de Manchester. E depois era chegada hora de ir embora. Desta vez eu que dormi nos braços de Sofia, a preocupação tinha desaparecido. Os passeios foram tão intensos, divertidos e no final da noite o sexo fazia com que o dia ficasse perfeito.

Chegamos em casa por volta das 07:00 hrs, me despedi de Sofia, e chegando em casa disse a minha mãe que tínhamos de ver o médico o mais depressa possível, explicando a ela que os sintomas estavam ficando cada vez mais fortes.
Péssimas notícias, o médico disse que só teria mais uma semana de vida com muita sorte. Isso veio em péssima hora, queria prolongar o máximo possível até criar coragem e terminar com Sofia.

Sexta-feira, Sofia me liga querendo marcar algo, disse a ela que precisava falar com ela. O momento se aproximava, era doloroso só de pensar acho que isso é mais doloroso do que saber que iria morrer tão jovem. A cada placa indicando que estava mais perto de minha namorada, me achava um monstro, só imaginando sua reação, mas acreditava que aquilo era o certo a se fazer.
Cheguei em sua casa e ela estava linda, parecia impossível ficar mais linda do que naturalmente ela já era, sentia uma pontada em meu coração, não sabia se era sintoma do câncer, ou se era minha reação ao vê-la.
Sofia estava com um vestido roxo, com as alças na vertical, deixando seus ombros de fora, tinha passado o gloss sabor baunilha que tanto adorava, aplicou um batom cor de rosa claro em seus lábios. Estava simples, do jeito que eu tanto amava, ouvir sua voz flagelava meu coração aos poucos, saber que nossas últimas carícias foram naquela viagem.

Ela se aproximava de mim para me dar seu típico selinho, mas então virei a cara.
— O que aconteceu? —, dizia ela surpresa com minha atitude.
— Não estou sendo sincero com você. —, fechava minhas mãos em punhos enquanto desviava meu olhar dela.
— Aquelas férias com meus amigos, eu te trai, fiquei com uma garota, alem de ter ido para a cama com ela!
— Não acredito! Não é possível! E a nossa viagem, você fingiu o tempo todo também? —, dizia ela com uma de suas mãos na testa andando de um lado para o outro.
— Sim! —, ela mal deixou eu terminar, fez um olhar de raiva, avançou em cima de mim, me deu tapas, estávamos em frente a sua casa então Allan saiu para ver o que estava acontecendo.
— Esse filho de uma puta me traiu! —, dizia ela aos choros.
Agora estava ferrado, mal conseguia ficar de pé quanto mais agüentar a surra que iria tomar. Allan me espancou, acho que seu pudesse me mataria ali mesmo, sorte que uma pessoa viu e então alertou a polícia.
Não sentia nada, meus músculos não respondiam, quando minha visão começou a melhorar estava em uma cama de hospital com minha mãe segurando minha mão.
— O doutor veio aqui e disse que você esta piorando a cada momento, disse para tentar relaxar e não se esforçar tanto.
Minha hora estava chegando, a cada minuto que se passava sentia minha respiração desaparecendo, começava a pensar se havia feito a coisa certa e logo a música da “Mariah Carey & Westlife – Against All Odds”, vinha em minha cabeça, ou seja, abdicar da companhia de Sofia para que na hora em que descobrisse a verdade, seu sofrimento seria acalmado, talvez foi um erro essa minha escolha, mas não suportava a idéia dela acabar se suicidando por minha culpa. Imaginei como ela deveria estar se sentindo neste exato momento, arrancando tudo o que a fazia se lembrar de mim, arrancando com toda sua força o primeiro presente que dei a ela a tornozeleira.
— Obrigado mãe pelos conselhos, por ter me dado casa, comida e carinho, saiba que a senhora é uma verdadeira guerreira, sempre disposta a fazer suas coisinhas seja se preocupando com os detalhezinhos no Natal, pela sua disposição em pintar toda a casa, obrigado pela educação que me deu, e fez um ótimo trabalho enquanto o papai esteve fora, me desculpe se não passei tempo suficiente com você, gostaria de falar mais com você. — minha mãe não conseguia falar nada, seu rosto tinha ficado vermelho e as lágrimas caíam como uma correnteza. Sua mão me apertava com mais força, deve ser difícil para uma mãe ver um filho que ela tanto protegeu, ir embora antes dela, não ter mais ele por perto em seu aniversario, no Natal e no Ano Novo.
— Bom, minha hora está chegando, logo logo vou me encontrar com meu pai, se ver a Sofia novamente diga a ela que a amei como nunca havia amado ninguém, e que ela me transformou em um homem melhor, e peça desculpas por mim por toda a dor que a fiz causar! Adeus minha mãe querida! —, então fui fechando os olhos com um sorriso no rosto sabendo que tive uma vida maravilhosa, que apesar da doença me levar embora, tinha encontrado alguém que salvava minha vida a cada beijo a cada toque, a cada palavra que saia de sua boca. Então os momentos que passei com Sofia vieram a minha mente bem rapidamente, desde quando zombava dela, até o tour que fizemos pela Europa como um clipe e a musica que tocava em minha cabeça enquanto vagarosamente morria foi “Nickelback – Someday”.

14 de dez. de 2009

Magic Box - If You (Remix)



If you don't know
What you are for me
Don't leave me alone tonight
If you don't go
I'll let you see
All there is in my heart

If you say no
I'll feel alone
I need your sunshine tonight
If you stay on
I'll give my all
I'll be your star

If you love me
If you love me now
I'll be your star
If you love me
If you love me now
I'll be your star
If you love me
If you love me now
I'll be your star
If you love me
If you love me now
I'll be your star

If you want love
Then come with me
Stay by my side tonight
If you want now
I'll make you rise
Like the moon in the night

If you say no
I'll feel alone
I need your sunshine tonight
If you stay on
I'll give my all
I'll be your star

If you love me
If you love me now
I'll be your star
If you love me
If you love me now
I'll be your star
If you love me
If you love me now
I'll be your star
If you love me
If you love me now
I'll be your star.

Gabe Bondoc - Romeo's Love Story

Taylor Swift - Love Story

Capítulo 9 – Surpresas

Já estávamos na última semana de provas, fazendo planos para as férias. Sofia queria viajar para algum país turístico, e eu queria ver mais peças de teatro ao seu lado. Nossas famílias acabaram criando um vínculo, já tinha ficado mais amigo de seu irmão. Marquei com ela para conhecer meus amigos de escola. Então pensamos em fazer um churrasco na casa do Fabio. Desta vez Sofia que veio me buscar, ela tinha tirado carta fazia pouco tempo, e todos os dias eu passava em sua casa para lhe dar mais confiança. Ensinei o caminho a ela dias antes, assim foi mais fácil.
Estava encostado no portão enquanto a aguardava, e logo ela estava chegando em um Honda Civic.

— Pelo jeito seu pai deixou você vir com o carro dele! Você teve que implorar muito?
— Não muito, só usei algumas táticas secretas femininas.
Então fomos até casa de Fabio, ao som de ”Taylor Swift – Love Story”.
— Sabia que essa música tem uma versão masculina? —, a indaguei sobre a música.
— É mesmo?
— Sim, “Gabe Bondoc” se chama o cara, é linda igualmente!

Estávamos quase chegando comentando sobre como achávamos as alianças algo superficial, planejávamos alguns passeios como zoológico, museus, shows que estavam por vir.
Quando percebemos já tínhamos chegado. A casa de Fabio era enorme, por fora era pintada de um verde claro, alta, sobrado com varanda, cabia seguramente 30 pessoas ali.
Por dentro a entrada já era uma grande sala, um espaço para a cozinha além da mesa para jantar, mais a frente havia uma escadaria em forma de espiral que levava até os quartos, o quarto de Fabio era enorme, sua cama parecia que estava embutida na parede, mais ao lado sua mesa encostada na parede com o laptop, e ao lado uma prateleira enorme com vários livros de RPG, e quadrinhos algumas cuidadosamente em um lugar especial como Watchmen.
Alguns passos a mais havia uma porta que dava a seu banheiro, uma banheira redonda de hidromassagem, fiquei me perguntando se ele já lotou aquela banheira de pessoas. Voltando a seu quarto, uma porta de alumínio que dava acesso a varanda.
Usamos churrasqueira elétrica, na varanda tinham tomadas.

— Ah, não acredito! Você está namorando? —, disse surpreso Daniel.
— Um dia eu tinha que crescer né velhinho?
— Apresenta sua namorada para nós! —, disse Cristina enquanto me dava um efusivo abraço.
— Bom gente, essa daqui é a minha namorada Sofia! Por incrível que pareça estou apaixonado! —, ouvia muitas risadas.
Deve ter vindo quase a sala inteira, Sofia olhava para mim com uma cara de preocupada, estava com ciúmes. Já tinha ficado com a maioria das garotas da festa, e algumas vestiam shortinhos e roupas decotadas, realçando ainda mais as curvas.
— Fique tranqüila amor, eu estou com você agora, não vou te abandonar! —, disse a ela sussurrando em seu ouvido.
Nos lembramos dos tempos de escola, as horas passaram tão depressa que já estava anoitecendo, tinha feito um trato com Sofia, ela queria me levar em algum lugar, mas disse que era surpresa.
Despedi-me dos meus amigos e fomos embora.

Então ela parou em um lugar discreto, quando li uma placa indicando “MOTEL”, fiquei surpreso.
— Hoje vou te fazer homem! —, dizia ela enquanto imitava uma gata.
Adentramos no local, após pagarmos fomos até o quarto.
Era algo simples uma cama de casal, um banheiro nada muito chamativo.
Me esqueci de comprar camisinha, pensei que este momento seria algo programado, não queria que ela pensasse que fosse um cafajeste. Por sorte dentro do banheiro tinha um pote com algumas delas.
— Só um momento! Já volto! —, disse ela enquanto eu saía do banheiro, então foi a vez de ela entrar, estava com uma sacola que tinha tirado do carro.
Alguns minutos depois ela sai do banheiro com um sutiã vermelho de cetim, e uma calcinha preta de seda.
— Gostou? Comprei só para essa ocasião. —, ela então deu um giro e então veio até a cama. Segurou minhas mãos e disse.
— Se você não sentir que esse é o momento, a gente faz isso outro dia?
— Não, tudo bem! Acho que estou pronto, aliás, você está maravilhosa como sempre.
A deitei na cama e comecei a beijá-la, desci um pouco mais para seu pescoço ela ajudava levantando seu queixo, tirei seu sutiã gentilmente enquanto continuava descendo até chegar em sua calcinha. Uma de minhas mãos estava acariciando um de seus seios, enquanto beijava o que havia sobrado. Ela se contorcia, parecendo estar gostando.
— Tem certeza que você é virgem? —, entre alguns gemidos ela sussurrava em meu ouvido.
— Sou, mas os filmes pornôs têm certa utilidade! —, disse a ela enquanto tirava sua calcinha.
Ao mesmo tempo em que estimulava seu clitóris com minha língua ela colocava sua mão em minha cabeça. Estava chegando a hora e então começamos o sexo. Foram apenas 4 minutos até eu me “cansar”.
Levantei frustrado, achando que tinha estragado tudo.
— Rafa, não precisa ficar assim, é normal principalmente na primeira vez, vou fazer você ficar com vontade num minuto!
Ela levantou-se e começou a fazer uma dança bem erótica para mim, e então estava pronto para o segundo round!
— Tente ir mais devagar, assim não vai ficar com tanta ansiedade! —, dizia ela enquanto deitava-se de barriga para cima.
Segui os conselhos dela, e desta vez durou bem mais, foi uma experiência incrível.
Ficamos um tempo abraçados na posição de “papai e mamãe” enquanto recuperávamos a nossa força.
Não podia estar mais feliz tinha alguém que não somente me respeitava, mas que me entendia, e alem disso alguém que me ensinava muitas coisas a cada dia que passava com ela. Era perfeito, não conseguiria pensar em ninguém melhor para fazer inclusive sexo a não ser ela, nem mesmo as modelos me atraíam mais, só tinha olhos para minha adorável Sofia.

Ela me deixou em casa e foi embora, as memórias do churrasco estavam encobertas pela memorável noite que tive, ficava me lembrando da musica que tocava baixinho ao fundo “Magic Box – If You (Remix)”.
Minha mãe já tinha ido dormir, mas deixou um bilhete na geladeira dizendo que amanhã iríamos ao medico fazer uma bateria de exames periódicos.

No dia seguinte fiquei a tarde inteira, realizando exames de sangue, respiratórios, até mesmo um ultrassom.
Na faculdade existia um clima de alegria para muito e nem tanto para outros, afinal era o último dia de aula. Fiquei sentado com Sofia, nessa altura nossos amigos já estavam mais próximos, alguns até começaram a namorar.
Neste fim de semana, era o show do Black Eyed Peas e minha namorada adorava. Inevitavelmente ela me convidou, e inevitavelmente acabei aceitando, até porque ela já tinha comprado os ingressos. Nos despedimos e chegando em casa fui dormir.

Sábado já tinha chegado, acordei bem cedo para me encontrar com Sofia e então fomos até o local, a fila estava gigantesca, algo comum quando um grupo estrangeiro vem ao Brasil.
Depois de aproximadamente umas 6 horas, os portões começaram a ser abertos. E lá estávamos nós, não tão perto deles, mas o importante é que tínhamos conseguido entrar. Entre um intervalo e outro, abraçava Sofia e a beijava incansavelmente, era nítido que o amor transbordava entre nós. Em um destes intervalos disse a ela que precisava ir ao banheiro.
O show já estava acabando, Sofia não demonstrava nenhum sinal de cansaço, duas músicas foram cantadas e o show tinha acabado.
Na volta para casa, ela não parava de dizer o quanto adorava as músicas, os integrantes, e suas roupas, enfim coisas de fã.
Deixei ela em casa, e fiz meu caminho para casa. Quando abri a porta vi minha mãe na mesa chorando.
— O que aconteceu? —, estava preocupado, ela dificilmente demonstrava tristeza muito menos chorava.
— Não sei outra forma de te dizer isso, filho! Mas você tem câncer, e só vai sobreviver por mais alguns meses no máximo! —, seus olhos estavam vermelhos de lagrimas. Quanto a mim, estava estático, paralisado, nada passava por minha cabeça.

13 de dez. de 2009

Capítulo 8 — A Viagem!

O final de semana havia chegado, combinamos de pegar Sofia às 09:00 hrs. Colocamos nossa bagagem no porta-malas e fomos até a casa de Sofia.
Sai do meu carro, e toquei a campainha de sua casa.
— Tchau mãe! Mande um beijão para o Allan! —, Sofia corria depressa.
— Sofia essa é minha mãe Margareth! Está pronta?
— Olá Margareth, prazer em conhecê-la, claro que sim, você foi um amor em ter tocado a campainha, não precisava, duas buzinadas já bastavam.
— Eu sei, mas eu acho mais romântico sair do carro e esperar a namorada, isso demonstra que estou ansioso para te ver.
— Ele não é meigo? —, comentava Sofia com minha mãe.
— Puxou ao pai! —, minha mãe deu um leve sorriso.
Sofia sentou-se do meu lado e então fomos dirigindo para a praia.
Decidi escolher a Imigrantes, pois além de ser mais simples, economizaríamos um maior tempo.
As duas conversaram o tempo inteiro na viagem sobre coisas femininas, como depilação, roupas em liquidação, e etc.
Chegamos na praia por volta das 11:00 hrs. O terreno da casa era grande, tinha um portão de madeira, um vasto corredor para a garagem.
— A casa é do meu pai, Sofia, ele é meio neurótico com essa questão de segurança. —, explicava minha mãe.
Fui abrindo as portas, confesso que apanhei, pois meu avô colocava algumas talas de madeira e alguns parafusos nas portas e se não fizesse o procedimento certo, ficaríamos presos pelo lado de fora. Depois de algum tempo consegui abrir a casa inteira.
A primeira coisa que fiz após ter aberto toda a casa, foi correr para os braços de Sofia, e lhe tascar um beijão.
— Olha amor, já vou avisando, a praia aqui não tem a água azulzinha, e tem até sujeira, sei que você merece coisa melhor do que isso, da próxima vez quero levá-la a praias com águas mais limpas.
— Tudo bem! Não precisa se preocupar com isso relaxa!
Me troquei, queria estar na praia antes do almoço, coloquei uma camiseta regata e um shorts. Deixei para o banheiro para que Sofia pudesse se trocar. Ela abriu a porta e meus olhos não acreditavam, ela estava linda, muito gata com um biquíni simples e rosa, além de realçar suas curvas. Sofia não é a garota mais encorpada que já vi, mas ainda assim me deixava maluquinho.
— Nossa, você está parecendo uma deusa, assim eu fico maluco! —, enquanto me aproximava para beijá-la.
— Pára! Eu tenho vergonha, sou magrinha!
— Magrinha, não! Enxuta, e para fim você está gostosa!Estou vendo que vou ter de te vigiar hoje na praia!
— Ciumento! —, dizia ela enquanto retribuía meu beijo.
Fomos a praia somente nós dois, minha mãe ficou para fazer o almoço.
— De noite vamos até o centrinho, lá tem um espaço que vendo bastante coisa artesanal.
— Tudo bem, se você indica, eu confio! —, dizia ela piscando para mim.
Uma caminhada depois chegamos até a praia, já ofereci a ela comida, mas ela disse que preferia reservar o estomago para o almoço. Achamos um lugar bem macio e fofo aonde a areia estava mais clara, abri o filtro solar e comecei a passar em seu corpo. Minhas mãos eram como se fossem um carro de corrida passeando sobre um autódromo, cheio de curvas, me deleitei com aquele momento.

— Que gostoso fez até um pouco de massagem, agora é minha vez! —, ela levantou-se rapidamente e começou a tirar a minha camiseta.
— Nossa, que corpão hein! Vou passar filtro solar com todo o prazer! —, estava impressionada com as formas em quem meu corpo adquiria.
Ela acariciava meu tronco com a ponta dos dedos bem suavemente, fazendo com que ficasse arrepiado.
Caminhamos na beira da praia e então ela me perguntou sobre meu pai.

— E seu pai? Ele está trabalhando?
— Meu pai morreu, já faz 5 anos! —, disse cabisbaixo.
— Me desculpe, não sabia.
— Tudo bem, ele foi um bom homem. Aprendi muito com ele.
— O quê, por exemplo?
— Sou uma pessoa que não tem ídolos talvez por saber que no fundo eles são pessoas normais que tem seus problemas normais, mas infelizmente suas vidas não são normais, e muitos optam por um caminho não tão íntegro. Já eu, prefiro ídolos que sejam “reais” e não pessoas famosas. E meu pai é um deles. Um cara que veio de baixo, e que conseguiu subir na vida, e, além disso, ajudava sempre que possível os familiares. Além disso, ele me inspirou a questionar as coisas, como ele mesmo dizia “Eu acredito no trabalho duro e em mim mesmo”, já eu não sigo essa filosofia, acho que porque não comecei a trabalhar cedo como ele. Um exemplo mais da minha idade é um amigo meu que os pais morreram cedo, e sua guarda ficou com os avós, ele tem uma irmãzinha para cuidar, é ele que tem que trabalhar para o sustento da família.
Essas histórias de dedicação são exemplos de vida e exemplos a serem seguidos.
— Muito comovente! Que bom que você pensa assim!
Ficamos quietos por algum tempo olhando o horizonte do mar.
Dei uma rasteira nela, e logo agachei para não deixar seu cabelo se misturar com a areia. Deitei-me na areia e a puxei para meu corpo, começamos a nos beijar apaixonadamente, adorava cada toque, sentir seu cheiro, ouvir sua respiração ficando cada vez mais ofegante, a voracidade com que seus lábios sobrepujavam os meus, a forma com que nossas línguas se entrelaçavam, era algo mágico, maravilhoso, erótico.
Fomos até um quiosque e comemos uma porção de fritas, ela não gostava de camarão, não suportava ver os olhinhos do bicho encarando ela.
Conversamos sobre séries, ela também assistia “The Big Bang Theory”, falamos sobre nossos episódios favoritos, o meu foi quando a Penny havia se tornado uma nerd. Comentei com ela que os criadores eram da mesma série do “Two & A Half Man”, ela dizia que preferia o Big Bang, achava essa série machista demais, pois na visão dela todos os episódios sempre tinham belas mulheres, sempre iam para a cama com Charlie, além da mãe deles ser uma viciada por sexo.
Foram esses e outros assuntos, que por mais peculiares que fossem só faziam aguçar meu interesse nela, em saber sobre seus medos, seus sonhos.
O sol já estava começando a ficar quente, achamos melhor voltarmos para casa. O almoço já estava na mesa, depois de almoçarmos montei a rede e dormimos abraçados.
Quando acordei, o sol já estava se pondo, então a levei ao centro como havia prometido. Passamos na feira de artesanato, fomos uma a uma, deixei Sofia olhar cuidadosamente cada item, com meus braços envolvendo sua cintura. Ela comprou presentes para todos de sua família, após isso, fomos até a praça aonde as pessoas dançavam livremente pelo lugar. Fiz como se fosse um cavalheiro, peguei em sua mão e a convidei para a dança.
— Ficou doido? Eu tenho vergonha! —, dizia ela, afastando suas mãos da minha.
— Relaxa! Eu te conduzo pode deixar! —, insistia enquanto dava alguns beijinhos estalados nela.
— Esta bem! Mas não vai reclamar depois se eu pisar no seu pé!
Mostrei para elas alguns passos antes de começarmos a dançar, esperamos a próxima musica. No começo ela estava se atrapalhando um pouco, mas depois conseguiu executar os passos com perfeição.
— Obrigada cavalheiro! Você dança muito bem! —, dizia sorridente.
— É nada, você que é uma belíssima aluna!
Comemos alguma coisa e voltamos para casa. Como estava ficando tarde fomos dormir.
Minha mãe dormiu sozinha em uma cama de solteira, e em um quarto separado, enquanto eu e Sofia dormimos juntos em uma cama de casal.
Nos deitamos de lado um de frente para o outro.
Diante daquela situação, era inevitável que o assunto ficasse de fora.

— E então eu vou ser qual numero da sua lista? —, ela me questionava, olhando bem em meus olhos enquanto acariciava minha face.
— Você será a primeira! E eu, vou ser qual?
— Você é virgem? Não brinca? —, Sofia ficou com uma cara de espanto.
— Pensei que você já estava acostumado?
— Fiquei com varias garotas, mas acredito que a virgindade também é algo especial para o homem a primeira vez tem que ser com alguém que ele ame de verdade, e antes de te conhecer eu não encontrei ninguém que mexesse comigo desse jeito.
— Mas não mude de assunto, e eu sou qual numero?
— O segundo! —, disse ela olhando para mim, tentando decifrar minhas emoções.
— É uma pena! Mas pelo menos você já é experiente vai saber o que fazer caso eu faça algo de errado.
— Tadinho! Vem cá, mas agora é você que esta comigo. —, ela deitou-se de barriga para cima enquanto eu a abraçava em volta recostando minha cabeça em seu peito.
— Eu te amo! Sei que ainda não fiz muita coisa para merecer, mas você praticamente mudou minha vida para melhor. —, olhava em seus olhos enquanto dizia tais coisas.
— Eu também te amo, meu lindo! Estou amando essa sua mudança, e cada momento com você é perfeito! Boa noite!
— Boa noite!

Fui dormir com a sensação de ser o homem mais feliz do mundo.

12 de dez. de 2009

Capítulo 7 - O Convite!

Já era segunda-feira, levantei com pressa, estava disposto, tomei um bom banho morno, escovei meus dentes, olhava no espelho tentando encontrar algum pelo solto em meu rosto, não achei nenhum então passei desodorante e um perfume e desci as escadas.

— Uau! Você está lindo filho!
— Lindo? Não! Feliz! —, estava apaixonado, por aqueles olhos esmeralda, por aquele sorriso deslumbrante, por aquela voz doce, mas apesar da questão estética, o que mais adorava era nossa conversa como se nos conhecêssemos há muito tempo.
— Que bom, agora se apressa senão você vai se atrasar!
— Pode deixar tia!
— Ah, moleque! —, dizia ela em meios a risadas.

Cheguei no serviço e meu chefe já veio me perguntando.
— Tá feliz hein, bicho, que aconteceu?
— Nada não! —, dizia enquanto mandava um sorriso largo.
— Deixa quieto, vou fazer umas entregas, vou demorar um pouco, você agüenta as pontas?
— Claro pode deixar comigo!

Então lá se ia meu chefe fazer suas entregas, eis que surge Sofia.
— Olá, você é novo por aqui? —, disse ela aos sorrisos.
— Sou sim, mas acho que já vi você em algum lugar! —, respondi mutuamente com um imenso sorriso.
— Quatro pãezinhos, por favor, moço!
— Além de linda a senhorita é educada!
Fui pegar seus pãezinhos, logo voltei ao balcão para entregar em suas mãos.
— Obrigada cavalheiro!
Me apoiei no balcão inclinando-me para mais perto dela e falei.
— Não agüento mais esse joguinho, isso está me matando! Eu queria só um beijo para o meu dia ser mais feliz! —, disse a ela enquanto fazia biquinho.
Ela parou por alguns segundos, colocou seu dedo indicador no queixo como se estivesse pensando, então olhou rapidamente para mim.
— É claro que sim! —, então me deu um selinho enquanto segurava meu rosto com as duas mãos. — Amei o recado que você me deixou muito obrigada, espero que você seja tudo isso mesmo. Vejo você na faculdade?
— Claro que sim, não perderia isso por nada, agora só uma pergunta, sou novo nisso nós estamos ficando ou já posso considerar algo mais sério? —, disse enquanto segurava em suas mãos.
— Depois de tudo o que você me falou ontem você acha que isso é só uma ficada? —, disse ela em um tom bravo enrijecendo sua face.
Trinquei os dentes, pensando que a tinha ofendido.
— Tô brincando bobinho, é claro que é namoro! —, disse ela enquanto rachava o bico.
— Ufa! Você me assustou, então até a faculdade! —, falei em um tom de alívio, nunca me importei muito com os sentimentos das garotas, mas com ela eu tinha essa preocupação, não queria machucá-la, ferir seus sentimentos.
Sofia já estava perto da calçada que fazia a divisão entre a rua e o piso da mercearia.
— Aliás, adorei que você passou gloss hoje, tem um gosto especial!
— Obrigada, muito gentil de sua parte!
No mesmo momento em que meu chefe chegava, ele então olhou para mim e fez uma careta.
— Ah! Então é por isso que você está tão feliz!
— Descobriu então! Bom já deixei tudo no jeito! —, ele então me liberou mais cedo hoje.

Esperei-a na entrada, então ela tinha chegado com seu irmão.
— Allan, este aqui é meu namorado, o Rafa. —, o irmão dela fez um daqueles olhares de desconfiados, o cara era enorme tinha acho que 1,90m e tinha músculos do tamanho de montanhas.
— Rafa? Já estão com toda essa intimidade? —, falava ele em um tom ameaçador me encarando.
— Pega leve Allan! Você vai ter que conviver com isso! —, disse Sofia enquanto se colocava no meio de nós dois, era claro o clima de tensão que estava acontecendo naquele momento.
— Você quem sabe, viu o que aquele filho da puta fez com você!
— A vida é minha eu tenho que aprender com meus próprios erros, e ele me diz coisas que não são clichês dos garotos comuns! —, gritava Sofia enquanto pegava em minha mão.
— É claro, ele só quer ir prá cama com você! Mas deixa prá lá, já vi que essa discussão não vai levar em nada! —, Allan chegou perto de mim apontando o dedo em minha cara.
— É bom tratá-la bem, meu camarada senão eu te arrebento!
Olhei friamente para ele direto nos olhos e fiz um sinal de positivo. Enquanto Allan batia a porta do carro e saía em disparada.
— Seu irmão é muito educado, quase um lorde! —, dizia enquanto sorria para ela.
— Ele não é tão diferente de você, apesar de ter esse jeito de valentão tem um coração de ouro! —, dizia ela enquanto erguia seu pescoço para olhar mais perto em meus olhos.
— Obrigado pelo elogio, mas é como dizem ele pode ser grande, mas não é dois e eu sou pequeno mas não sou metade! —, gargalhava enquanto subíamos as escadas de mãos dadas.
— Olha que bonitinho a peruazinha e o padeiro! —, disse Alissa enquanto caminhávamos em direção ao cinzerão. Ainda ouvíamos comentários sobre a brincadeira de mau gosto que aconteceu. Parei em frente dela e disse.
— Sabe, apesar de você ser a mais desejada da faculdade, e tudo mais, sua beleza é superficial, por dentro seu pulmão está pior que uma massa de pão, do jeito que você bebe, não vai passar dos 40, então aproveite bem seus anos de beleza, tenho pena de você, se acha popular mais no fundo é sozinha, também já fui assim algum dia, espero que você melhore sua atitude o mais rápido possível, até mais! —, disse a ela enquanto voltava a caminhar com Sofia, enquanto fazia um sinal de despedida para Alissa.
Sentamos no cinzerão, abri minha mochila e peguei um pequeno presente embrulhado em um papel verde com uma fita rosa, e entreguei a ela.
— O que é isso? —, disse Sofia surpresa.
— Isso se chama presente, é uma forma das pessoas demonstrarem carinho por aquelas que se tem apreço. —, dizia enquanto ela me dava um leve tapa em meu ombro. — Pode abrir, espero que você goste.
— Ai idiota! Obrigada! É lindo! — Vou por agora mesmo.
O presente era uma tornozeleira, gentilmente me ofereci para desprender o feixe, e então coloquei em seu tornozelo.
— Ficou lindo! Adoro pés femininos. —, exclamei enquanto acariciava sua perna.
— E os meus são bonitos?
— São maravilhosos, o formato, a maciez, o alinhamento de seus dedos formado o “efeito escadinha”, ou seja, um dedo menor que o outro na ordem decrescente.
— Que observador! Já está na hora das aulas! Que pena! —, ela fazia um biquinho irresistível.
— Não resisto a esse biquinho, vem cá! —, simultaneamente colocamos nossas mãos um no pescoço do outro, eu com a mão esquerda e ela com a mão direita, enquanto nos beijávamos procurava tapeando a outra mão que sobrava, e quando a encontrei fiquei segurando.
— Não quero que nenhumas de suas mãos fiquem atadas quero sentir o calor das duas, pode dizer que sou egoísta não ligo!
— Que fofo! Nunca fui tratada tão bem, obrigada! Agora tenho que ir te vejo no intervalo.
Após me despedir de Sofia fui até a sala, torcendo para que o intervalo chegasse logo.
— E aí cara, é sério mesmo então? —, perguntou um de meus amigos.
— É sim, sei que parece difícil de acreditar, mas eu estou amando ela sim!
Todos da sala estavam me olhando estranho, como se fosse um Rafael de uma dimensão paralela, não ligava apenas sorri e prestei atenção na aula.

O intervalo chegou, e Sofia estava sentada na cantina com suas amigas, avistei-a e podia ouvir de longe suas amigas me elogiando e suspirando.
— Olá garotas tudo bem? —, cumprimentando uma por uma.
— Tudo —, diziam elas timidamente.
— Bom, So, a gente vai deixar o casal a sós agora.
Elas se despediram de nós e então me sentei de frente para Sofia.
— Estica sua mão quero pegar nelas, por favor? —, pedia a ela.
Ela torceu um pouco o pescoço com uma risadinha e depois estendeu suas mãos.
— Ah, bem melhor que ficar segurando as folhas A3!
— Err, besta! E ai, está tudo bem?
— Agora sim, te fazer um convite!
— Convite? Qual seria? —, Sofia me olhava com cara de surpresa.
— Tá afim de ir para a praia comigo?
Então ela olhou para mim, com um olhar de desconfiança e disse.
— Mas você não acha que está muito rápido!
— Eu sei, mas olha só, entendo a sua preocupação, mas isso seria uma forma de provar para você, e para mim mesmo que eu a mereço, é que eu estou cansado da cidade, queria conversar com você em um lugar melhor, por favor? —, implorava para ela.
— Bom, ainda estou meio preocupada com tudo isso, mas vou aceitar sua proposta, afinal é uma forma de descobrir se você vale a pena ou não.
— Obrigado, eu não vou decepcioná-la. Alias vou pedir para minha mãe ir junto tenho certeza que ela vai achar estranho, mas é sempre bom para o caso de algo “der errado” ela esteja lá para me repreender.
— Isso! É melhor assim! Quando vamos? —, Sofia parecia ter gostado de minha idéia, afinal não queria de jeito nenhum fazer com que ela pensasse que sou um cafajeste que só quer fazer sexo.
— Esse fim de semana está bom para você? —, dizia na medida em que me levantava para ficar atrás dela e assim envolver seu pescoço com meus braços.
— Está sim! Obrigada por essa preocupação! Sabe, cada vez que converso com você me surpreendo mais com sua maturidade, e com sua preocupação com meu bem-estar, se tivesse conhecido você antes, seria maravilhoso!
— Ainda bem que nos conhecemos a tempo! Vou contar os dias para chegar o fim de semana bem que podia ser amanhã! —, então me inclinei e fiquei bem perto de seu ouvido.
— E sinceramente, estou muito curioso para te ver de biquíni! —, disse enquanto beijava seu pescoço perfumado.
— Tarado! —, cochichava no meu ouvido.
— Falando sério, amor, eu fico curioso mesmo, você deve ficar linda!
— Você me chamou de amor, que fofo! Eu também não vejo a hora de ver esse seu corpitcho. —, então nos despedimos ali mesmo com a minha vontade incessante de chegar o fim de semana logo.

Em casa, perguntei a minha mãe se ela poderia ir junto comigo.
— Claro que sim, é até melhor que tenha um adulto responsável por lá, não é mesmo?
— Ei, eu sou adulto e sou responsável também! —, exclamei fazendo uma careta, e em seguida dei uma risada.

Então estava tudo certo, no fim de semana seria a minha primeira viagem junto de meu amor.

Shania Twain feat. Backstreet Boys - From This Moment

D'Black - Sem Ar

Westlife - If I Let You Go

Capítulo 6 - Atração Intelecto-Cultural?

Decidi ficar em casa este fim de semana, ajudar minha mãe a limpar a casa, pintar a sala, acalmar um pouco meus pensamentos, tentar não focá-los em Sofia.

— Filho, está tudo bem? —, questiona minha mãe ao ver-me parado apoiado na vassoura.

— Hã? Oi? T-Tudo bem! —, disse a ela claramente dispersivo em meus pensamentos.

— Estranho! Você nunca foi assim? Mas, mudando de assunto ontem você me disse que parecia ter encontrado uma garota, e então? —, era irônico como mesmo ela tentando se desviar do assunto acabou me perguntando exatamente sobre o assunto que me instigava.

— É verdade, de alguma forma ela é especial, mas pela primeira vez não tenho uma certeza absoluta se ela vai me aceitar do jeito que sou.

— Por quê? —, pergunta minha mãe, como se tivesse sido surpreendida.

Então meus olhos começaram a ficar vermelhos, por mais que quisera esquecer o dia de ontem, não podia evitar o fato que veria Sofia pelo resto do semestre, me lembrara das vezes em que ela me destratou e ironicamente as lagrimas começaram a rolar.

— Filho, não fica assim, só tem um jeito de descobrir conversa com ela, mostre para ela o que você sente e o mais importante o porquê você se sente assim em relação a ela, afinal se você evitá-la você nunca vai saber se ela realmente é tudo isso que você pensa dela ou não. —, então minha mãe começou a me abraçar e fazer carinho, então chegou perto do meu ouvido e disse.

— Ela deve ser importante, se fez meu filho sempre cheio de auto-estima, que nunca se abalava por nada, fez você ficar como está, sei que é estranho dizer o que vou dizer, eu deveria lhe dar conselhos do tipo “Ela não é para você!”, “Você merece alguém que te faça feliz”, mas minha intuição feminina diz que você precisa muito dela. —, disse ela enquanto me largava lentamente.

— Pode deixar que eu termino o resto, filho!

Subi as escadas em direção ao meu quarto, liguei o computador, tentando ouvir alguma musica que me inspirasse, só consegui pensar naquela do “Westlife – If I Let You Go”, como não fazia idéia aonde era sua casa, nem tivemos tanto tempo de trocarmos telefone, então fui direto para o Orkut, nem entrei no MSN, depois do que aconteceu acho que ela não queria mais me ver.

Nem precisei ir até seu perfil, pois ela já havia deixado uma mensagem para mim.

“Isso é mais uma das suas brincadeiras sem graça, quem você realmente é? E se não sexualmente de qual forma você se sentiu atraído por mim?”, pensei comigo, mesmo que ela tentasse encontrar alguma característica minha vendo minhas comunidades não conseguiria, pois como o meu maior temor na época era dos outros saberem o que eu gostava, não tinha a coragem de colocar isso em meu perfil.

Então respondi a ela.

“Minhas comunidades não falam por mim, me encontre amanhã em frente à mercearia às 15:00 hrs., que vou me abrir com você, pois aqui dentro de mim, de alguma forma, minha consciência diz que eu posso confiar meus maiores segredos e desejos para você, que de algum jeito você vai entender.”

Ao mesmo tempo em que a musica começava a acabar com seu refrão, era estranho a sensação que sentia mesmo quando via somente sua foto, nada sólido, apenas uma imagem, já me fazia ficar com um frio na barriga, como ela deixava-me em um intenso calor trepidante.

Pensei o dia todo, sobre como transmitir a ela os meus sentimentos, ao mesmo tempo me perguntando se os pensamentos, as idéias, os gostos dela seriam permutáveis com os meus.

Logo, já era noite, fui dormir mais cedo, tentando acalmar a ansiedade.

Acordei cedo, por volta de umas 10:00 hrs., pelo menos para mim isso é cedo, minha mãe já estava acordada passando roupa, tomei meu café da manhã escovei os dentes, e fui assistir um pouco de televisão.

Assisti a um seriado que não via a algum tempo, “The Big Bang Theory”, me deleitava de rir com suas ações e falas, mesmo sendo aquele típico formato americano de seriado aonde as falas são algo artificial, não diegéticas. O personagem Sheldon era quem dava o ar da graça, apesar de no começo não gostar muito achava ele um pé no saco, mas é exatamente essa a razão do seriado ser um sucesso.

Distrai-me, vendo a série, que quase não ouço minha mãe chamar para o almoço.

Almocei em silêncio, estava muito apreensivo, afinal estava chegando a hora, então depois de despedir-me de minha mãe, quando estava saindo ela disse.

— Quando voltar eu quero ver a minha norinha! —, piscou o olho e contente, talvez ela percebeu que eu mudei, aliás, que Sofia podia ser a garota que eu esperava a tanto tempo. Arrepiei o cabelo, estava com uma camisa estampada em formas de ondas, azul clara, e calça jeans.

Era a primeira vez que andava de carro em São Paulo, depois de me perder algumas vezes, consegui achar o local marcado para o encontro.

Ela já estava me esperando, simples e linda como sempre, vestia uma blusinha de ombros descobertos, cujo nome exato do modelo de roupa eu não sei, uma calça jeans e tênis estilo All-Star.

— Oi, tudo bem? —, ela me dizia enquanto me perguntava.

— Sabe se fosse outra pessoa responderia que sim, mas quando vem de você acho que é a pergunta mais difícil a ser respondida. —, disse olhando direto em seus lindos olhos verdes, enquanto tentava parecer calmo.

— Vamos para o shopping, se você não se importar é claro? —, propus a idéia a ela.

— Tudo bem! —, disse ela enquanto abria a porta do passageiro.

— Obrigada, cavalheiro! —, ela me olhou com uma cara de surpresa, enquanto eu abria um sorriso timidamente.

Estávamos em direção ao shopping, e ela notou que eu estava tremendo, e soando.

— Você está bem? —, disse ela.

Dei um largo suspiro, quase não saía palavras da minha boca.

— S-S-Sim estou!

Ao chegarmos, sentamos em um banco perto da praça de alimentação, um de frete para o outro, e então ela começou.

— Ei! Fique tranqüilo, eu não mordo! —, dizia ela enquanto pegava um lenço de sua bolsa para limpar meu suor.

— Não sei qual a melhor forma de começar isso então vou logo dizendo. Me chamo Rafael de Oliveira, tenho 23 anos, gosto de coisas românticas, gosto de escutar os mais variados tipos de musicas, gosto dos solos de guitarra do Iron, gosto do samba alegre do Zeca, gosto da batida fervorosa da Black Music, e principalmente daquelas que em determinada parte de nossas vidas nos fazem pensar em alguém.

— Quero uma garota que não me julgue que não me rotule pelo que sou alguém que não me faça subir as escadas do meu quarto desesperadamente para guardar meus bonequinhos dos “Cavaleiros”, que precise tirar as coisas consideradas “passadas da idade”. Minha vida inteira eu me escondia, não conseguia achar alguém que me entendesse, pensava que estava sozinho, mas então veio você, e enquanto olhava suas comunidades comecei a sentir uma espécie de conexão, de que talvez você fosse a garota de quem eu tanto procurava. —, dizia para Sofia enquanto minha voz já estava mudada devido ao choro.

— Nossa quem diria que por trás dessa confiança toda, existia um garoto sensível e com sentimentos puros. E o que você quis dizer com aquele negócio de atração? —, ela me perguntava enquanto limpava minhas lagrimas com as costas de sua mão.

Era tão difícil olhar em seus olhos ainda mais com a vista embaçada devido as lágrimas, mas me mantive firme e respondi a sua pergunta.

— É um termo que soa meio nerd, é algo que eu chamo de “atração intelecto-cultural”, minha curiosidade e interesse em você foi cada vez sendo mais atiçada, sobre o que você pensa sobre o que acha das coisas que acontecem no mundo, e até porque não, dos programas que passam na TV, e também de você gostar de poetas de uma época diferente da nossa, de gostar de MPB, saber por que você gosta, e também sobre séries que aqui no Brasil são tachadas como infanto-juvenil saber sua opinião sobre elas, se são parecidas com as minhas.

— Entendi, interessante esse termo que você usou, compactua bem com essa idéia. Sobre essas coisas infantis, qual a sua opinião sobre elas? —, perguntou a mim, já com os ombros em cima da mesa apoiando o queixo, como se já acreditasse que naquele momento estava sendo eu mesmo.

— Vou citar um exemplo próprio, aqui no Brasil os animes são tachados de desenho para criança, a própria indústria cria esse preconceito, principalmente os primordiais, os “Cavaleiros do Zodíaco”, logo as pessoas se lembram daquela abertura cantada por crianças, e já ligam a idéia de ser algo infantil, mas até entendo que naquela época os moleques em sua maioria gostavam de assistir mais por causa da ação, mas agora já na fase adulto acho interessantes as metáforas psicológicas que existe nos personagens e muitas vezes acho que de certa forma o autor tenta transmitir essa idéia, suas idéias do mundo cotidiano.

— Estou impressionada, jamais pensei que teria um papo cabeça com você, quando te vi pela primeira vez na mercearia, percebi que você era alguém inseguro, mas é bom descobrir esse seu verdadeiro lado. —, ela sorria e com uma aparência de quem tivesse sido pega de surpresa.

— Não sabia que representava tudo isso para você, mas eu sai de um relacionamento aonde pensei que ele fosse tudo o que eu queria, e depois ele acabou traindo minha confiança, não sei se estou pronta para seguir adiante com um novo relacionamento.

— Sabe, eu não acredito em muitas coisas, mas acredito no amor, não acho que amando alguém vai resolver os problemas, mas acho que ajuda naquele momento de necessidade, acredito que a parte mais fácil de um relacionamento é a parte mais feliz, pois você não consegue perceber se aquela pessoa esta te enganando, mas muitos casos quando realmente um precisa do outro um dos dois acaba cedendo, seja quando a garota nos dias de cólicas menstruais precisa de carinho do seu namorado, ele não esta lá ou prefere sair com os amigos a sair com a namorada, por exemplo.

— Entendo, mas você não acha que cada um precisa ter sua independência? —, pergunta ela.

— Claro que sim, eu odeio garota grudenta, mas deve ser maravilhoso saber que tem alguém que se importa, e que não me importa a urgência você sabe que ele vai estar lá, por você. —, nessa hora meus olhos brilhavam.

— Olha Sofia, sei que você está confusa no momento, mas queria lhe dizer também que não posso jurar, nem prometer nada a você, nem mesmo acredito que exista provas de amor, talvez o mais possível disso seria um casal de cegos, aonde ambos não vão ligar por objetos materiais, ou pela estética, com exceção deste caso, talvez quando a pessoa desiste de seu orgulho para estar junto com a pessoa que ama, como diz aquela música do “D-Black – Sem Ar”, um garoto jogando bola com seus melhores amigos, de repente ele sai correndo no meio do jogo para se encontrar com sua namorada, por exemplo. Mas o que posso falar é que me esforçaria para tentar ser o melhor possível para você, te levar para os lugares em que você gostaria de ir, aos shows que não teve oportunidade de ir, enfim acho que com você do meu lado seria fantástico, mas parece que no momento é algo... —, dei um suspiro, — Impossível! —, desviei meu olhar do dela, abaixando a cabeça.

— Sabe, é engraçado, mas nunca me falaram esses tipos de coisas, sempre me elogiavam pelo que eu sou por fora, nunca me analisavam pelo que sou por dentro, talvez não tinham essa sua capacidade de elogiar as coisas que vem de dentro, de querer saber cada detalhe, mesmo sendo pequeno. —, sentia suas mãos em meu rosto, tão delicadas, tão macias, então a vi se levantando.

— Pode me dar carona? —, perguntou ela.

Respondi que sim, e então ela indicou o caminho até sua casa, abri a porta de passageiro para ela.

— Tchau! Obrigado pelo dia de hoje! —, disse ela.

— Tchau! —, falei em um tom meio entristecido.

Então quando me aproximei do capô do carro para entrar no banco do motorista, senti alguém me cutucando por trás. Quando me virei, ela havia se jogado inteiramente em cima de mim, com suas mãos ao redor de minha nuca e começou a me beijar de um jeito que parecia que iria perder o fôlego a qualquer momento, enquanto a abraçava forte na cintura, mas tomando cuidado de não por toda minha força, ela envolvia meu pescoço e na medida em que os beijos se desenrolavam ela fincava suavemente suas unhas em minha nunca, senti até mesmo o pulsar de seu coração, seu beijo era algo inacreditável, era lento, saboroso, feroz, e muito sensual. Nunca reparava nesses detalhes, apenas me focava em mentalizar o corpo das garotas com quem ficava.

Então ela me largou com aquele seu sorriso inocente, fez uma careta, mordeu um lado de seus lábios e foi correndo para dentro de sua casa.

Foi o dia mais feliz de minha vida, o que estava fadado ao fracasso acabou se transformando em esperança, voltei para casa.

— Desculpe mãe, mas ela me pegou de surpresa, mas não vai faltar oportunidade —, não conseguia disfarçar o largo sorriso então logo não conseguiria fingir que estava triste.

— Que bom filho! Desejo o melhor para vocês, e saiba que estou torcendo muito por vocês! —, disse minha mãe me dando um abraço forte.

— Valeu pela força, bom agora já vou dormir.

Subi as escadas, e então deixei um vídeo para ela com a música da “Shania Twain – From This Moment On”, com a seguinte mensagem:

“Sabe aquela vez que dá vontade de gritar sem se importar com o que os outros digam, aquela vontade de sair saltitando pela rua sem temer o ridículo, aquela coisa que está entalada dentro do meu peito, que é um alivio quando consegue dizer, então é justamente assim que estou me sentindo”.

10 de dez. de 2009

Dream - My Will



Essa música é de um anime chamado InuYasha e também uma das minhas preferidas, quando estava montando esse personagem queria que o romance fosse parecido com o anime, um casal que tem suas desavenças, mas que ainda sim um protege o outro, sem aquele papo de viverem acorrentados. Segue abaixo a tradução da musica:

Minha vontade


Suavemente desperto

Meus sentimentos por você jamais serão correspondidos
Eu rezo sempre para que um dia você aceite meu desejo...

Depois de um tempo eu disse ao longe
Meus olhos ficavam sempre fechados
Juntando os momentos solitários de nossas vidas,
meu sentimento por você já é sofrimento...

Se alguém lhe dissesse sempre para
desviá-lo, acredite
O fato é uma mentira grosseira
Mas os jovens não param, nem são derrotados

Penso em você e as lágrimas
começam a cair
Meus sentimentos por você jamais serão correspondidos
Rezo sempre pelo dia em que você aceitará em meu desejo...

Eu posso apenas fingir que sou forte
Mas, desde então, minha hesitação se foi

Há tantas coisas que eu gostaria de mostrar
Há tantas coisas que eu gostaria de dizer
Minhas lágrimas, sorrisos, quero que você veja todos eles
Espere um pouco, eu agarrarei a minha chance

Só de pensar em você, sinto meu coração
ficando cada vez mais forte
distante a voz não alcança mas algum dia
com certeza irá alcançar
acredite lá...lá...

Capítulo 5 – A Revelação

O dia de hoje foi típico, a não ser o fato de que não conseguia tirar Sofia de minha cabeça. Na faculdade, estava com os amigos da minha sala, sentamos em uma cantina, esperando o horário da primeira aula e vi Alissa com um enorme sorriso no rosto enquanto olhava para mim. Não a via fazia um bom tempo, acho que a última vez foi quando ela armou o maior barraco um dia depois da festa para os calouros. Mesmo achando algo muito estranho e seu sorriso, não liguei muito e continuei a conversar com meus amigos, uma garota se aproximou da nossa mesa e me deixou um bilhete.

“Encontre-me no auditório na hora do intervalo!”, olhei-a, e ela estava se contendo para não rir. Comentei com uma amiga se ela estava sabendo de algo, ela balançou a cabeça de forma negativa.

Sinceramente após conversar com Sofia, comecei a enjoar dessa coisa de popularidade, de garotas, tanto é que joguei fora meu bloco com a contagem das garotas. Falando nela, a vi saindo do mesmo carro, cumprimentando o mesmo garoto, e aquilo começava a me corroer por dentro, ela estava muito diferente de seu habitual, estava toda produzida com batom, cabelo solto e molhado, uma sombra que realçava seus olhos verdes, mas nada muito pesado, usava um vestido assimétrico com um corte transversal com o ombro direito de fora, então começaram a perguntar se aquela garota era nova de tão diferente que estava, acabou chamando a atenção dos garotos, então uma de suas amigas que estava ao lado apontou para mim enquanto cochichava algo em seu ouvido. Ela olhou para mim e então me enviou um beijinho. Pronto, agora todos achavam que ela estava me dando bola, ou que tínhamos algo.

Depois dessa exuberante aparição, fomos para a aula, e me perguntando o que aconteceria na hora do intervalo.

Professor nos despensa da aula alertando sobre o intervalo apressei-me até o local, estava muito escuro reconheci uma voz.

— Finalmente você chegou, Alex pode ligar o projetor! —, era Alissa, que olhava diretamente para mim enquanto dava suas ordens.

Logo, o auditório foi se enchendo de curiosos e então um filme começou a rodar com o titulo “Esse é o verdadeiro Sr. Popular!”, era um vídeo de meu emprego na mercearia, atendendo as pessoas idosas, e apareciam a seguinte mensagem “Apesar de toda sua popularidade, no mundo real você é um verdadeiro loser!!!”. Enquanto o filme desaparecia lentamente, começaram a se dividir opiniões sobre o filme, até que algo inesperado aconteceu.

Sofia se pôs a frente de Alissa.

— Que coisa decadente, vocês não passam de um bando de animais, e daí que ele trabalha em uma mercearia, pelo menos ele trabalha honestamente, vocês nem sabem se ele passa alguma dificuldade, belos falsos amigos que vocês foram. —, disse ela em um tom imperativo. Porem sua tentativa de conscientização foi em vão, pois continuavam a gargalhar sem parar.

— Se enxerga garota, quem é você para falar algo? Só porque veio toda produzidinha hoje, acha que pode vir dando lição de moral, palhaça! —, respondeu Alissa.

Corri até onde elas estavam, agarrei o braço de Sofia e a levei até a saída do auditório.

— Me solta! Eu vou dar uma lição naquela patricinha! —, dizia ela enquanto tentava desprender seu braço do meu.

— Ei, calma não preguiça brigar por pouco, e além do mais como seu namorado iria ficar se a visse toda machucada justamente hoje que você se produziu toda para ele?

— Então quer dizer que você anda me espiando? Ele não é meu namorado, é meu irmão, e se estou produzida foi para uma apresentação de um trabalho que tenho de fazer. Alias nem sei porque eu estou te dando satisfações, minha vida não é da sua conta! —, disse ela forçando seu braço para trás.

— Não vou brigar mais, afinal já é hora da minha apresentação. Adeus!

Enquanto ela se distanciava de mim gritei.

— Obrigado por ter me defendido!

Ela se vira para mim e responde.

— Não fiz isso por você, mas não gosto de injustiças! —, gritava ela enquanto corria para sua aula.

Quando entro na sala, vejo que o vídeo afetou as pessoas, muitos olhavam para mim com risadas, mas nem todos, Jeferson e Alice estavam me dando uma força.

O professor teve um pequeno empecilho ao tentar acalmar os ânimos, mas no final conseguiu seguir com sua aula.

Depois desse dia, vendo minha popularidade decaindo-se rapidamente tudo o que queria era chegar em casa o mais rápido possível.

Mal cumprimentei minha mãe, e fui logo ligando o computador, a única coisa que queria no momento era revelar-me para Sofia, já que na minha cabeça tudo estava perdido, que de alguma forma eu sentia que ela era a única em quem eu podia confiar.

Imaginava uma forma de revelar-me para ela, então depois de me acalmar pensei em algo criativo.

Ela entrou no MSN, com uma mensagem dizendo o quanto estava nervosa.

— Oi, o que aconteceu Sofia?

— Oi, Carlos, me desculpe é que hoje aconteceu algo em minha faculdade muito desagradável. —, disse ela explicando-me a confusão que teve na faculdade.

— Mas de alguma forma acho que ele mereceu, ele se acha muito, pensa que é a última bolacha do pacote. —, disse ela enquanto me controlava na cadeira, engolindo a seco ao ver suas palavras.

— Entendi realmente ele mereceu, como dizem há males que vem para o bem, quem sabe ele não muda de atitude?

— Acho difícil de acontecer, apesar de pela primeira vez ele demonstrou certa preocupação, resquícios na verdade! —, ela me respondia enquanto dava um largo sorriso, de certa forma as palavras delas faziam me sentir mais tranqüilo, sereno, mais coeso.

— Mudando de assunto, estou trabalhando em um poema quer que eu te mande? —, disse para ela.

— Claro que sim!

— “Acho que já sei identificar todos os sons dos pássaros que sobrevoam a cidade, estou aprendendo alguns passos de dança, sei diferenciar os vários tons das buzinas que tocam ao redor de minha casa, mas de que serve todo esse conhecimento se não posso ouvir o doce som de sua voz, se não posso conduzi-la para uma valsa, se não posso ouvir a buzina de seu carro e descer ansiosamente enquanto você esta a me esperar dentro dele”. Gostou?

— Acho que ninguém disse algo assim, pelo menos com essas palavras, depois vou dar uma pesquisada, mas meus parabéns é uma bela frase, quem é a sortuda?

— É uma garota que mora na minha cidade, quase no mesmo bairro.

— Certo, e ela sabe disso?

— Não, ainda não tive coragem para falar. Bom tenho que dormir agora. Bjos e obrigado pelo elogio.

— De nada, e boa sorte com a menina.

Enquanto esperava o computador desligar anotei em um pedaço de papel um recado e então fui dormir, ansiosamente pelo dia seguinte.

— Mãe, lembra daquele dia em que você tinha me perguntado se encontrei alguma garota especial?

— Lembro sim, então encontrou?

— Sim, mas ela vai ter um espanto quando souber que sou eu.

— Como assim?

— Ela me odeia! —, eu disse em um tom de gargalhada um pouco forçada.

— O que você fez pra ela te odiar assim?

— Você, sabe essa minha dualidade acabou me destruindo!

— Então seja você mesmo com ela, se você imagina que ela seja especial.

— Certo, vou tentar. Beijo estou atrasado!

Disse enquanto colocava minha mochila nas costas e corria até o meu serviço.

Já era parte da tarde quando ela apareceu por lá, não pude deixar de pensar sobre a sua reação quando ela descobrisse que eu era Carlos, mas ainda não era hora.

— O de sempre? —, perguntei a ela.

— Sim, e então sem nenhuma piadinha hoje?

— É já vi que com você elas não fazem efeito, e ai como foi a sua apresentação ontem? —, perguntei a ela apesar de ela ter falado para o meu alter ego sobre como tinha se saído bem.

— Que mudança, você está educado hoje, mas eu avisei você havia um tempo sobre sua mascara!

— Fui teimoso, mas você tinha razão, você fez sucesso ontem hein?

— Nem me fale, morro de vergonha dessas coisas sou tímida para isso —, disse ela enquanto ria, meus olhos ficavam hipnotizados olhando aquele sorriso sincero e ingênuo.

— Vai hoje pra faculdade? —, perguntei a ela.

— Vou sim e você?

— Também, foi um prazer falar com você, espero que tenhamos outra oportunidade como essa! —, disse a ela enquanto entregava sua sacola com os pães, e enquanto ela saia começou a me olhar estranho como se já ouvisse algo parecido em algum lugar.

Meu coração começou a desacelerar, no momento em que não via mais ela, torcendo que o tempo passasse depressa e com certa hesitação.

Consegui convencer meu chefe a sair mais cedo e então consegui chegar a faculdade mais cedo, fui ate a sala dela e então deixei uma carta em cima da mesa da professora.


“Para Sofia”


Então esperei ela chegar, quando a vi minha barriga doía, consegui a sentir aqueles mesmos sentimentos da outra vez em que confundi seu irmão com seu namorado, porém agora era diferente, era de sofre uma rejeição, de temer que ela nunca mais fale comigo, de imaginar que eu a estaria incomodando com minhas insinuações e minha teimosia.

Pela primeira vez, ela me avistou e foi até o cinzerão para me cumprimentar, segurando seu fichário, e sobre os suspiros de suas amigas. Ficava mais difícil de vê-la, meus olhos brilhavam ao sentir que o momento estava chegando, que era questão de segundos ela entrar em sua sala e ver o bilhete.

Então quando ela chegou em sua sala, as garotas começaram a se aglomerar em volta dela, parecia ate um comício de político, fiquei olhando de longe, até que entrei rapidamente para a sala.

No bilhete estava escrito:

“Preciso urgentemente falar com você, apareça no Centro de Pesquisa no intervalo”

Roia a unha tamanha era minha ansiedade, a única coisa que queria era dizer para ela quem eu sou e o que sentia. Então enquanto pensava nas inúmeras possibilidades mal pude notar que era hora do intervalo. Corri para o centro como se minha vida dependesse disso, então ela estava parada bem em frente de braços cruzados, olhando para os lados, então eu cheguei perto dela, aproveitando que estávamos de bem na realidade e então perguntei.

— Está esperando alguém? —, apareci de surpresa chegando do lado dela.

— Ai, que susto! Idiota! Estou sim —, dizia ela com um enorme sorriso no rosto.

— Eu vou fazer um trabalho, por que você não entra também e espera? —, propus a ela.

— Tudo bem, afinal se ele quer tanto me ver, ele que venha atrás!

— Hmmm! Então é um admirador secreto, que fofo! —, disse em um tom irônico!

— É o que vou descobrir! —, disse ela enquanto procurávamos um lugar para nos sentarmos. Dei sorte, pois o centro estava lotado e havia somente dois lugares um bem distante do outro.

— Boa sorte com o seu “amigo”! —, disse a ela com um sorriso que não deve ter saído muito bem, afinal ficava cada vez mais difícil fingir que estava tudo bem.

Entrei no MSN com meu falso nome, ao mesmo tempo em que ela aparecia na janelinha do MSN.

— Oi Sofia, não imaginei que a veria tão cedo, aconteceu alguma coisa?

— Não, é que alguém ficou de me ver aqui na sala de computação e eu estou esperando.

— Entendi, alias falando em salas, qual o nome da faculdade que você faz?

— Anhembi Morumbi, por quê?

— Sério! É que meu vizinho faz faculdade na mesma que a sua.

— É mesmo? E como ele se chama?

— Rafael!

— Conheço um sim, você tem o Orkut dele pra eu ver se é o mesmo que eu conheço?

— Tenho sim! Já vou te mandar...

Entre as conversas observava sua reação tentando ver se ela percebera algo de estranho.

— Chegou? —, gritei para ela.

— Não! Acho que não vem mais.

Entrei no meu próprio perfil e continuei a conversa.

— Ahhh sacana! Ele viu o meu poema no meu e copiou!

— Conheço sim! Ele não tem jeito mesmo, deve conquistar as garotas com frases de filmes. Vou aproveitar e dar uma bronca já que ele está bem perto de mim!

Era chegado o momento, a cada passo em que ela se aproximava meu coração disparava, e meus olhos começavam a tremular, e naturalmente começaram a ficar vermelhos, com as lagrimas já transbordando a ponto de deslizar pelo rosto, então quando ela se aproximou.

— Rafael! O que aconteceu? Porque você está chorando?

Apontei para o computador, enquanto as palavras não saiam, o queixo tremia, e uma dor muscular começava a vir, e fui embora.

Então ela olha no computador e nele estava a janela do MSN aberta com um recado no “Bloco de Notas”:

“Sinto muito, pensei que era mais forte, pensei que poderia falar o que pensava, queria me revelar, mas desde o nosso primeiro contato, descobri que você era diferente, a cada conversa com meu fake, a cada vez que você me afrontava isso acabou me atraindo, não sexualmente, mas sim de um jeito”

Não consegui terminar o que tinha escrito, pois ela estava chegando, e o pior é que deixei meu teclado sujo de lágrimas.

Fui embora o mais rápido que pude, sem me importar com as aulas seguintes.

Nesse dia, não quis ligar o computador só tentar dormir o mais depressa possível.

O som daquela noite era “Dream Was – My Will”.