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12 de dez. de 2009

Capítulo 6 - Atração Intelecto-Cultural?

Decidi ficar em casa este fim de semana, ajudar minha mãe a limpar a casa, pintar a sala, acalmar um pouco meus pensamentos, tentar não focá-los em Sofia.

— Filho, está tudo bem? —, questiona minha mãe ao ver-me parado apoiado na vassoura.

— Hã? Oi? T-Tudo bem! —, disse a ela claramente dispersivo em meus pensamentos.

— Estranho! Você nunca foi assim? Mas, mudando de assunto ontem você me disse que parecia ter encontrado uma garota, e então? —, era irônico como mesmo ela tentando se desviar do assunto acabou me perguntando exatamente sobre o assunto que me instigava.

— É verdade, de alguma forma ela é especial, mas pela primeira vez não tenho uma certeza absoluta se ela vai me aceitar do jeito que sou.

— Por quê? —, pergunta minha mãe, como se tivesse sido surpreendida.

Então meus olhos começaram a ficar vermelhos, por mais que quisera esquecer o dia de ontem, não podia evitar o fato que veria Sofia pelo resto do semestre, me lembrara das vezes em que ela me destratou e ironicamente as lagrimas começaram a rolar.

— Filho, não fica assim, só tem um jeito de descobrir conversa com ela, mostre para ela o que você sente e o mais importante o porquê você se sente assim em relação a ela, afinal se você evitá-la você nunca vai saber se ela realmente é tudo isso que você pensa dela ou não. —, então minha mãe começou a me abraçar e fazer carinho, então chegou perto do meu ouvido e disse.

— Ela deve ser importante, se fez meu filho sempre cheio de auto-estima, que nunca se abalava por nada, fez você ficar como está, sei que é estranho dizer o que vou dizer, eu deveria lhe dar conselhos do tipo “Ela não é para você!”, “Você merece alguém que te faça feliz”, mas minha intuição feminina diz que você precisa muito dela. —, disse ela enquanto me largava lentamente.

— Pode deixar que eu termino o resto, filho!

Subi as escadas em direção ao meu quarto, liguei o computador, tentando ouvir alguma musica que me inspirasse, só consegui pensar naquela do “Westlife – If I Let You Go”, como não fazia idéia aonde era sua casa, nem tivemos tanto tempo de trocarmos telefone, então fui direto para o Orkut, nem entrei no MSN, depois do que aconteceu acho que ela não queria mais me ver.

Nem precisei ir até seu perfil, pois ela já havia deixado uma mensagem para mim.

“Isso é mais uma das suas brincadeiras sem graça, quem você realmente é? E se não sexualmente de qual forma você se sentiu atraído por mim?”, pensei comigo, mesmo que ela tentasse encontrar alguma característica minha vendo minhas comunidades não conseguiria, pois como o meu maior temor na época era dos outros saberem o que eu gostava, não tinha a coragem de colocar isso em meu perfil.

Então respondi a ela.

“Minhas comunidades não falam por mim, me encontre amanhã em frente à mercearia às 15:00 hrs., que vou me abrir com você, pois aqui dentro de mim, de alguma forma, minha consciência diz que eu posso confiar meus maiores segredos e desejos para você, que de algum jeito você vai entender.”

Ao mesmo tempo em que a musica começava a acabar com seu refrão, era estranho a sensação que sentia mesmo quando via somente sua foto, nada sólido, apenas uma imagem, já me fazia ficar com um frio na barriga, como ela deixava-me em um intenso calor trepidante.

Pensei o dia todo, sobre como transmitir a ela os meus sentimentos, ao mesmo tempo me perguntando se os pensamentos, as idéias, os gostos dela seriam permutáveis com os meus.

Logo, já era noite, fui dormir mais cedo, tentando acalmar a ansiedade.

Acordei cedo, por volta de umas 10:00 hrs., pelo menos para mim isso é cedo, minha mãe já estava acordada passando roupa, tomei meu café da manhã escovei os dentes, e fui assistir um pouco de televisão.

Assisti a um seriado que não via a algum tempo, “The Big Bang Theory”, me deleitava de rir com suas ações e falas, mesmo sendo aquele típico formato americano de seriado aonde as falas são algo artificial, não diegéticas. O personagem Sheldon era quem dava o ar da graça, apesar de no começo não gostar muito achava ele um pé no saco, mas é exatamente essa a razão do seriado ser um sucesso.

Distrai-me, vendo a série, que quase não ouço minha mãe chamar para o almoço.

Almocei em silêncio, estava muito apreensivo, afinal estava chegando a hora, então depois de despedir-me de minha mãe, quando estava saindo ela disse.

— Quando voltar eu quero ver a minha norinha! —, piscou o olho e contente, talvez ela percebeu que eu mudei, aliás, que Sofia podia ser a garota que eu esperava a tanto tempo. Arrepiei o cabelo, estava com uma camisa estampada em formas de ondas, azul clara, e calça jeans.

Era a primeira vez que andava de carro em São Paulo, depois de me perder algumas vezes, consegui achar o local marcado para o encontro.

Ela já estava me esperando, simples e linda como sempre, vestia uma blusinha de ombros descobertos, cujo nome exato do modelo de roupa eu não sei, uma calça jeans e tênis estilo All-Star.

— Oi, tudo bem? —, ela me dizia enquanto me perguntava.

— Sabe se fosse outra pessoa responderia que sim, mas quando vem de você acho que é a pergunta mais difícil a ser respondida. —, disse olhando direto em seus lindos olhos verdes, enquanto tentava parecer calmo.

— Vamos para o shopping, se você não se importar é claro? —, propus a idéia a ela.

— Tudo bem! —, disse ela enquanto abria a porta do passageiro.

— Obrigada, cavalheiro! —, ela me olhou com uma cara de surpresa, enquanto eu abria um sorriso timidamente.

Estávamos em direção ao shopping, e ela notou que eu estava tremendo, e soando.

— Você está bem? —, disse ela.

Dei um largo suspiro, quase não saía palavras da minha boca.

— S-S-Sim estou!

Ao chegarmos, sentamos em um banco perto da praça de alimentação, um de frete para o outro, e então ela começou.

— Ei! Fique tranqüilo, eu não mordo! —, dizia ela enquanto pegava um lenço de sua bolsa para limpar meu suor.

— Não sei qual a melhor forma de começar isso então vou logo dizendo. Me chamo Rafael de Oliveira, tenho 23 anos, gosto de coisas românticas, gosto de escutar os mais variados tipos de musicas, gosto dos solos de guitarra do Iron, gosto do samba alegre do Zeca, gosto da batida fervorosa da Black Music, e principalmente daquelas que em determinada parte de nossas vidas nos fazem pensar em alguém.

— Quero uma garota que não me julgue que não me rotule pelo que sou alguém que não me faça subir as escadas do meu quarto desesperadamente para guardar meus bonequinhos dos “Cavaleiros”, que precise tirar as coisas consideradas “passadas da idade”. Minha vida inteira eu me escondia, não conseguia achar alguém que me entendesse, pensava que estava sozinho, mas então veio você, e enquanto olhava suas comunidades comecei a sentir uma espécie de conexão, de que talvez você fosse a garota de quem eu tanto procurava. —, dizia para Sofia enquanto minha voz já estava mudada devido ao choro.

— Nossa quem diria que por trás dessa confiança toda, existia um garoto sensível e com sentimentos puros. E o que você quis dizer com aquele negócio de atração? —, ela me perguntava enquanto limpava minhas lagrimas com as costas de sua mão.

Era tão difícil olhar em seus olhos ainda mais com a vista embaçada devido as lágrimas, mas me mantive firme e respondi a sua pergunta.

— É um termo que soa meio nerd, é algo que eu chamo de “atração intelecto-cultural”, minha curiosidade e interesse em você foi cada vez sendo mais atiçada, sobre o que você pensa sobre o que acha das coisas que acontecem no mundo, e até porque não, dos programas que passam na TV, e também de você gostar de poetas de uma época diferente da nossa, de gostar de MPB, saber por que você gosta, e também sobre séries que aqui no Brasil são tachadas como infanto-juvenil saber sua opinião sobre elas, se são parecidas com as minhas.

— Entendi, interessante esse termo que você usou, compactua bem com essa idéia. Sobre essas coisas infantis, qual a sua opinião sobre elas? —, perguntou a mim, já com os ombros em cima da mesa apoiando o queixo, como se já acreditasse que naquele momento estava sendo eu mesmo.

— Vou citar um exemplo próprio, aqui no Brasil os animes são tachados de desenho para criança, a própria indústria cria esse preconceito, principalmente os primordiais, os “Cavaleiros do Zodíaco”, logo as pessoas se lembram daquela abertura cantada por crianças, e já ligam a idéia de ser algo infantil, mas até entendo que naquela época os moleques em sua maioria gostavam de assistir mais por causa da ação, mas agora já na fase adulto acho interessantes as metáforas psicológicas que existe nos personagens e muitas vezes acho que de certa forma o autor tenta transmitir essa idéia, suas idéias do mundo cotidiano.

— Estou impressionada, jamais pensei que teria um papo cabeça com você, quando te vi pela primeira vez na mercearia, percebi que você era alguém inseguro, mas é bom descobrir esse seu verdadeiro lado. —, ela sorria e com uma aparência de quem tivesse sido pega de surpresa.

— Não sabia que representava tudo isso para você, mas eu sai de um relacionamento aonde pensei que ele fosse tudo o que eu queria, e depois ele acabou traindo minha confiança, não sei se estou pronta para seguir adiante com um novo relacionamento.

— Sabe, eu não acredito em muitas coisas, mas acredito no amor, não acho que amando alguém vai resolver os problemas, mas acho que ajuda naquele momento de necessidade, acredito que a parte mais fácil de um relacionamento é a parte mais feliz, pois você não consegue perceber se aquela pessoa esta te enganando, mas muitos casos quando realmente um precisa do outro um dos dois acaba cedendo, seja quando a garota nos dias de cólicas menstruais precisa de carinho do seu namorado, ele não esta lá ou prefere sair com os amigos a sair com a namorada, por exemplo.

— Entendo, mas você não acha que cada um precisa ter sua independência? —, pergunta ela.

— Claro que sim, eu odeio garota grudenta, mas deve ser maravilhoso saber que tem alguém que se importa, e que não me importa a urgência você sabe que ele vai estar lá, por você. —, nessa hora meus olhos brilhavam.

— Olha Sofia, sei que você está confusa no momento, mas queria lhe dizer também que não posso jurar, nem prometer nada a você, nem mesmo acredito que exista provas de amor, talvez o mais possível disso seria um casal de cegos, aonde ambos não vão ligar por objetos materiais, ou pela estética, com exceção deste caso, talvez quando a pessoa desiste de seu orgulho para estar junto com a pessoa que ama, como diz aquela música do “D-Black – Sem Ar”, um garoto jogando bola com seus melhores amigos, de repente ele sai correndo no meio do jogo para se encontrar com sua namorada, por exemplo. Mas o que posso falar é que me esforçaria para tentar ser o melhor possível para você, te levar para os lugares em que você gostaria de ir, aos shows que não teve oportunidade de ir, enfim acho que com você do meu lado seria fantástico, mas parece que no momento é algo... —, dei um suspiro, — Impossível! —, desviei meu olhar do dela, abaixando a cabeça.

— Sabe, é engraçado, mas nunca me falaram esses tipos de coisas, sempre me elogiavam pelo que eu sou por fora, nunca me analisavam pelo que sou por dentro, talvez não tinham essa sua capacidade de elogiar as coisas que vem de dentro, de querer saber cada detalhe, mesmo sendo pequeno. —, sentia suas mãos em meu rosto, tão delicadas, tão macias, então a vi se levantando.

— Pode me dar carona? —, perguntou ela.

Respondi que sim, e então ela indicou o caminho até sua casa, abri a porta de passageiro para ela.

— Tchau! Obrigado pelo dia de hoje! —, disse ela.

— Tchau! —, falei em um tom meio entristecido.

Então quando me aproximei do capô do carro para entrar no banco do motorista, senti alguém me cutucando por trás. Quando me virei, ela havia se jogado inteiramente em cima de mim, com suas mãos ao redor de minha nuca e começou a me beijar de um jeito que parecia que iria perder o fôlego a qualquer momento, enquanto a abraçava forte na cintura, mas tomando cuidado de não por toda minha força, ela envolvia meu pescoço e na medida em que os beijos se desenrolavam ela fincava suavemente suas unhas em minha nunca, senti até mesmo o pulsar de seu coração, seu beijo era algo inacreditável, era lento, saboroso, feroz, e muito sensual. Nunca reparava nesses detalhes, apenas me focava em mentalizar o corpo das garotas com quem ficava.

Então ela me largou com aquele seu sorriso inocente, fez uma careta, mordeu um lado de seus lábios e foi correndo para dentro de sua casa.

Foi o dia mais feliz de minha vida, o que estava fadado ao fracasso acabou se transformando em esperança, voltei para casa.

— Desculpe mãe, mas ela me pegou de surpresa, mas não vai faltar oportunidade —, não conseguia disfarçar o largo sorriso então logo não conseguiria fingir que estava triste.

— Que bom filho! Desejo o melhor para vocês, e saiba que estou torcendo muito por vocês! —, disse minha mãe me dando um abraço forte.

— Valeu pela força, bom agora já vou dormir.

Subi as escadas, e então deixei um vídeo para ela com a música da “Shania Twain – From This Moment On”, com a seguinte mensagem:

“Sabe aquela vez que dá vontade de gritar sem se importar com o que os outros digam, aquela vontade de sair saltitando pela rua sem temer o ridículo, aquela coisa que está entalada dentro do meu peito, que é um alivio quando consegue dizer, então é justamente assim que estou me sentindo”.

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