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20 de dez. de 2009

Epílogo

— Idiota! Como pude ser tão trouxa! Todos os homens são iguais! —, dizia a mim mesmo a semana inteira.

Joguei suas coisas no lixo, apaguei todas as suas fotos, meu tornozelo estava todo machucado de tanto esforço que fiz para arrancar aquela droga de minha perna o mais rápido possível. Não sentia vontade de fazer nada, já havia apagado ele de minha memória, os únicos resquícios de vida que me ligavam a ele era no mundo virtual que estava prestes a terminar. Era só o que me faltava, literalmente excluí-lo de minha mente.

Login...! Senha...! Introduzi minha senha no Orkut e então fui rapidamente para os meus amigos, nem esperei a minha pagina inicial carregar direito, digitei “Rafael”, e entrei no perfil do infeliz. “Remover da minha lista de amigos”, estava feito, agora já não tínhamos nenhum elo tanto físico quanto virtualmente, e em breve apagaria seus amigos de minha vida. Já que estava no perfil do infiel, seria mais rápido, mas algo começou a chamar minha atenção, nos perfis de seus amigos ao invés de fotos havia uma cor somente preta, algumas com os dizeres LUTO!

Fiquei curiosa e então cliquei em um destes perfis de luto aleatoriamente, já que não conseguia identificar quais eram seus amigos, e junto com os dizeres de luto aparecia o nome de algum Rafael junto. Desci um pouco seu perfil pela barra de rolagem, para confirmar se era ele mesmo, dito e feito. Mensagens profundas de saudades, de tristeza, algumas chegavam a comover, olhei perplexa para aquilo, não acreditava no que via, então comecei a me lembrar dos nossos últimos momentos, sua pele pálida com olheiras enquanto estávamos a caminho do aeroporto, e quando ele tossiu sangue na Alemanha, tudo começava a se encaixar, mas não conseguia entender. Por quê não me falou nada, ele sabia que se falasse eu estaria ao seu lado em seu leito de morte, logo fiquei confusa e com o peso na consciência tanto em ter jogado suas coisas fora, quanto a surra que tinha tomado de meu irmão imagino que isso só fez apressar sua morte. Tentava chorar, mas algo me impedia, deveria ser algo semelhante quando se está diante de um perigo e ao invés de correr, a pessoa fica estática no lugar.

— Margareth! —, gritei, pensando como ela deveria estar se sentindo agora que estava sozinha. Liguei imediatamente para sua casa.

— Alô? —, disse ela.

— Oi Margareth, sou eu Sofia, em primeiro lugar meus pêsames, só fiquei sabendo hoje, como você está? Precisa de alguma ajuda?

— Olá Sofia, obrigada, estou bem sim, os primeiros dias foram difíceis, é estranho limpar o quarto dele, e perceber que no dia seguinte está intocável, do mesmo jeito, sem nenhum sinal de bagunça, ainda não me acostumei com essa idéia —, dizia ela aparentemente calma, mas consegui ouvir algumas fungadas ao telefone características de alguém que segura o choro.

— Pensei que você já sabia, mas estou bem sim, vem aqui um dia desses, enquanto você me fala como o Rafael era quanto estava ao seu lado, eu lhe mostro o álbum de fotografias do meu beb...! —, foi interrompida pelo choro, comecei a chorar junto com ela, mas então ela recuperou o fôlego e disse que estaria bem sim, que era para não me preocupar.

Aos prantos, dei uma olhada nos meus recados e vi que alguém tinha me deixado um vídeo que redirecionava ao You Tube. Cliquei o mais rápido possível e para minha surpresa era o próprio Rafael que estava no vídeo.

“Oi Sofia, se você estiver vendo isso, possivelmente estou morto, a não ser que algum engraçadinho chamado Fabio colocou o vídeo antes da hora. Antes de te conhecer eu até acreditava naquela célebre frase “Se me derem o supérfluo dispenso alegremente o essencial" do Oscarzão como eu gosto de chamar um de seus poetas favoritos, e mesmo sem conhecer essa frase, eu vivia disso como uma filosofia de vida, não por acaso repeti muitos anos renegando o “essencial”, pensava apenas em fazer amizades, em conquistar as garotinhas, ou seja, algo “supérfluo”. Mas então conheci você, com seu jeito independente de ser, com sua postura de garota forte, que não deixava se intimidar com nada e nem por ninguém, e aos poucos isso foi me conquistando cada vez mais, como já lhe disse muitas vezes. O que eu não disse, até porque imaginei que viveria por mais tempo, foi obrigado. Por ter me transformado em alguém melhor, por ter me incentivado e também me instigado a sempre aperfeiçoar meus conhecimentos, minhas qualidades, com você descobri coisas que jamais descobriria anteriormente, você fez com que eu adquirisse cultura seja me mostrando livros que traziam uma mensagem significativa, peças de teatro, shows, enfim você praticamente foi a minha “Virada Cultural”. Lembro das horas que passávamos discutindo sobre os autores de livros tanto os antigos quanto os modernos como Stephen King, Dan Brown, Stephenie Meyer, etc.

Você me deu uma nova vida, os seis meses que ficamos juntos foram acho que uns 50 anos se for comparar a vida inútil e ilógico que levava. Ao mesmo tempo que a agradeço, peço desculpas por não ter conseguido realizar todo os seus sonhos, mas ao menos me esforcei, queria muito ter me casado com você, constituir uma família, e mesmo quando ficasse velho e rabugento ainda estaria ao seu lado, pois eu não tinha sonhos, meu único sonho era conhecer alguém que me entendesse, que me amasse, e guardava secretamente isso dentro de mim, fico muito feliz em ter conseguido realizar meu sonho, de nossas vidas terem se cruzado.

Não lhe disse nada, porque tinha medo de que você se matasse por minha causa, me “matava” só de pensar nisso, desculpe se acabei agindo de má fé com você, não queria que corresse esse risco. Já estou indo, quero que saiba que foi uma experiência maravilhosa, e como já lhe disse ganhei uma nova vida, renasci ao seu lado, estou morto porém feliz em ter realizado meu sonho, em ter vivido com ele lado a lado, e espero que você realize os seus também junto de alguém que a ame, mas aposto que ele não vai conseguir te amar, te enxergar do jeito que eu te enxergo, é uma pena que não estarei aqui para receber o prêmio da aposta, qualquer coisa pode entregar para o Fabio.

Antes de terminar quero deixar uma musica que traduz bem à sensação que quis transmitir nesse vídeo, chama-se “Kokia – Arigatou”. Adeus Sofia te amei na minha vida e tenho a total certeza de que meus últimos pensamentos da minha ultima fagulha de vida que percorrer em minhas veias, será para você, minha eterna salvadora. Te amo!”

Comecei a chorar, começou a ficar mais intenso na medida em que lia a tradução da musica que meu amor havia me mandado, comecei a soluçar de tanto que chorava e então só imaginei que tudo o que ele tinha feito foi para me preservar, acho que se ele tivesse me falado com antecedência, morreria junto com ele, não sei muito bem ao certo, mas também tenho que agradecer muito a ele, aos seus conselhos, dizia que a amizade era a coisa mais importante da vida, mais importante até que o amor entre casais. E é com as palavras dele que vou carregar isso como filosofia de vida.

Eu e minhas amigas brincávamos de falar por código, apostávamos se encontraríamos o nosso C.C.S.L.E., que nada mais era do que as características que um garoto precisava ter.

O primeiro “C” era o de carinhoso, que no caso era o mais fácil de achar já que até mesmo os cafajestes têm seu ar carinhoso e dócil, mas com o tempo você percebe que ele é carinhoso com todas.

O segundo era de compreensível, alguém que aceitasse uma reclusa como resposta.

O “S”, de sensível, já que os garotos mesmo em pleno séc. XXI carregam consigo mesmos essa tolice de que homem não chora. É difícil encontrar algum que esteja disposto a desistir de tal orgulho.

O “L” de leal, não apenas na questão de ser fiel ou não, mas alguém que segurasse a onda, alguém que ficasse do nosso lado mesmo com as torturantes cólicas menstruais.

O “E” de estética, não precisa ser necessariamente bonito, mas cheiroso e bem arrumado toda garota gosta, mas sinceramente o meu era um tremendo gato por natureza.

Posso dizer com um vasto sorriso no rosto apesar das lagrimas que encontrei meu C.C.S.L.E., é uma pena que ele se foi tão cedo, mas vai estar sempre aqui no meu coração, nos meus pensamentos e em meu tornozelo.

Sai da sacada e então olhei para o céu estava um azul límpido, com nuvens brancas e um sol maravilhoso e instintivamente gritei bem alto:

— EU TAMBÉM TE AMO!!!”

FIM

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