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10 de dez. de 2009

Capítulo 5 – A Revelação

O dia de hoje foi típico, a não ser o fato de que não conseguia tirar Sofia de minha cabeça. Na faculdade, estava com os amigos da minha sala, sentamos em uma cantina, esperando o horário da primeira aula e vi Alissa com um enorme sorriso no rosto enquanto olhava para mim. Não a via fazia um bom tempo, acho que a última vez foi quando ela armou o maior barraco um dia depois da festa para os calouros. Mesmo achando algo muito estranho e seu sorriso, não liguei muito e continuei a conversar com meus amigos, uma garota se aproximou da nossa mesa e me deixou um bilhete.

“Encontre-me no auditório na hora do intervalo!”, olhei-a, e ela estava se contendo para não rir. Comentei com uma amiga se ela estava sabendo de algo, ela balançou a cabeça de forma negativa.

Sinceramente após conversar com Sofia, comecei a enjoar dessa coisa de popularidade, de garotas, tanto é que joguei fora meu bloco com a contagem das garotas. Falando nela, a vi saindo do mesmo carro, cumprimentando o mesmo garoto, e aquilo começava a me corroer por dentro, ela estava muito diferente de seu habitual, estava toda produzida com batom, cabelo solto e molhado, uma sombra que realçava seus olhos verdes, mas nada muito pesado, usava um vestido assimétrico com um corte transversal com o ombro direito de fora, então começaram a perguntar se aquela garota era nova de tão diferente que estava, acabou chamando a atenção dos garotos, então uma de suas amigas que estava ao lado apontou para mim enquanto cochichava algo em seu ouvido. Ela olhou para mim e então me enviou um beijinho. Pronto, agora todos achavam que ela estava me dando bola, ou que tínhamos algo.

Depois dessa exuberante aparição, fomos para a aula, e me perguntando o que aconteceria na hora do intervalo.

Professor nos despensa da aula alertando sobre o intervalo apressei-me até o local, estava muito escuro reconheci uma voz.

— Finalmente você chegou, Alex pode ligar o projetor! —, era Alissa, que olhava diretamente para mim enquanto dava suas ordens.

Logo, o auditório foi se enchendo de curiosos e então um filme começou a rodar com o titulo “Esse é o verdadeiro Sr. Popular!”, era um vídeo de meu emprego na mercearia, atendendo as pessoas idosas, e apareciam a seguinte mensagem “Apesar de toda sua popularidade, no mundo real você é um verdadeiro loser!!!”. Enquanto o filme desaparecia lentamente, começaram a se dividir opiniões sobre o filme, até que algo inesperado aconteceu.

Sofia se pôs a frente de Alissa.

— Que coisa decadente, vocês não passam de um bando de animais, e daí que ele trabalha em uma mercearia, pelo menos ele trabalha honestamente, vocês nem sabem se ele passa alguma dificuldade, belos falsos amigos que vocês foram. —, disse ela em um tom imperativo. Porem sua tentativa de conscientização foi em vão, pois continuavam a gargalhar sem parar.

— Se enxerga garota, quem é você para falar algo? Só porque veio toda produzidinha hoje, acha que pode vir dando lição de moral, palhaça! —, respondeu Alissa.

Corri até onde elas estavam, agarrei o braço de Sofia e a levei até a saída do auditório.

— Me solta! Eu vou dar uma lição naquela patricinha! —, dizia ela enquanto tentava desprender seu braço do meu.

— Ei, calma não preguiça brigar por pouco, e além do mais como seu namorado iria ficar se a visse toda machucada justamente hoje que você se produziu toda para ele?

— Então quer dizer que você anda me espiando? Ele não é meu namorado, é meu irmão, e se estou produzida foi para uma apresentação de um trabalho que tenho de fazer. Alias nem sei porque eu estou te dando satisfações, minha vida não é da sua conta! —, disse ela forçando seu braço para trás.

— Não vou brigar mais, afinal já é hora da minha apresentação. Adeus!

Enquanto ela se distanciava de mim gritei.

— Obrigado por ter me defendido!

Ela se vira para mim e responde.

— Não fiz isso por você, mas não gosto de injustiças! —, gritava ela enquanto corria para sua aula.

Quando entro na sala, vejo que o vídeo afetou as pessoas, muitos olhavam para mim com risadas, mas nem todos, Jeferson e Alice estavam me dando uma força.

O professor teve um pequeno empecilho ao tentar acalmar os ânimos, mas no final conseguiu seguir com sua aula.

Depois desse dia, vendo minha popularidade decaindo-se rapidamente tudo o que queria era chegar em casa o mais rápido possível.

Mal cumprimentei minha mãe, e fui logo ligando o computador, a única coisa que queria no momento era revelar-me para Sofia, já que na minha cabeça tudo estava perdido, que de alguma forma eu sentia que ela era a única em quem eu podia confiar.

Imaginava uma forma de revelar-me para ela, então depois de me acalmar pensei em algo criativo.

Ela entrou no MSN, com uma mensagem dizendo o quanto estava nervosa.

— Oi, o que aconteceu Sofia?

— Oi, Carlos, me desculpe é que hoje aconteceu algo em minha faculdade muito desagradável. —, disse ela explicando-me a confusão que teve na faculdade.

— Mas de alguma forma acho que ele mereceu, ele se acha muito, pensa que é a última bolacha do pacote. —, disse ela enquanto me controlava na cadeira, engolindo a seco ao ver suas palavras.

— Entendi realmente ele mereceu, como dizem há males que vem para o bem, quem sabe ele não muda de atitude?

— Acho difícil de acontecer, apesar de pela primeira vez ele demonstrou certa preocupação, resquícios na verdade! —, ela me respondia enquanto dava um largo sorriso, de certa forma as palavras delas faziam me sentir mais tranqüilo, sereno, mais coeso.

— Mudando de assunto, estou trabalhando em um poema quer que eu te mande? —, disse para ela.

— Claro que sim!

— “Acho que já sei identificar todos os sons dos pássaros que sobrevoam a cidade, estou aprendendo alguns passos de dança, sei diferenciar os vários tons das buzinas que tocam ao redor de minha casa, mas de que serve todo esse conhecimento se não posso ouvir o doce som de sua voz, se não posso conduzi-la para uma valsa, se não posso ouvir a buzina de seu carro e descer ansiosamente enquanto você esta a me esperar dentro dele”. Gostou?

— Acho que ninguém disse algo assim, pelo menos com essas palavras, depois vou dar uma pesquisada, mas meus parabéns é uma bela frase, quem é a sortuda?

— É uma garota que mora na minha cidade, quase no mesmo bairro.

— Certo, e ela sabe disso?

— Não, ainda não tive coragem para falar. Bom tenho que dormir agora. Bjos e obrigado pelo elogio.

— De nada, e boa sorte com a menina.

Enquanto esperava o computador desligar anotei em um pedaço de papel um recado e então fui dormir, ansiosamente pelo dia seguinte.

— Mãe, lembra daquele dia em que você tinha me perguntado se encontrei alguma garota especial?

— Lembro sim, então encontrou?

— Sim, mas ela vai ter um espanto quando souber que sou eu.

— Como assim?

— Ela me odeia! —, eu disse em um tom de gargalhada um pouco forçada.

— O que você fez pra ela te odiar assim?

— Você, sabe essa minha dualidade acabou me destruindo!

— Então seja você mesmo com ela, se você imagina que ela seja especial.

— Certo, vou tentar. Beijo estou atrasado!

Disse enquanto colocava minha mochila nas costas e corria até o meu serviço.

Já era parte da tarde quando ela apareceu por lá, não pude deixar de pensar sobre a sua reação quando ela descobrisse que eu era Carlos, mas ainda não era hora.

— O de sempre? —, perguntei a ela.

— Sim, e então sem nenhuma piadinha hoje?

— É já vi que com você elas não fazem efeito, e ai como foi a sua apresentação ontem? —, perguntei a ela apesar de ela ter falado para o meu alter ego sobre como tinha se saído bem.

— Que mudança, você está educado hoje, mas eu avisei você havia um tempo sobre sua mascara!

— Fui teimoso, mas você tinha razão, você fez sucesso ontem hein?

— Nem me fale, morro de vergonha dessas coisas sou tímida para isso —, disse ela enquanto ria, meus olhos ficavam hipnotizados olhando aquele sorriso sincero e ingênuo.

— Vai hoje pra faculdade? —, perguntei a ela.

— Vou sim e você?

— Também, foi um prazer falar com você, espero que tenhamos outra oportunidade como essa! —, disse a ela enquanto entregava sua sacola com os pães, e enquanto ela saia começou a me olhar estranho como se já ouvisse algo parecido em algum lugar.

Meu coração começou a desacelerar, no momento em que não via mais ela, torcendo que o tempo passasse depressa e com certa hesitação.

Consegui convencer meu chefe a sair mais cedo e então consegui chegar a faculdade mais cedo, fui ate a sala dela e então deixei uma carta em cima da mesa da professora.


“Para Sofia”


Então esperei ela chegar, quando a vi minha barriga doía, consegui a sentir aqueles mesmos sentimentos da outra vez em que confundi seu irmão com seu namorado, porém agora era diferente, era de sofre uma rejeição, de temer que ela nunca mais fale comigo, de imaginar que eu a estaria incomodando com minhas insinuações e minha teimosia.

Pela primeira vez, ela me avistou e foi até o cinzerão para me cumprimentar, segurando seu fichário, e sobre os suspiros de suas amigas. Ficava mais difícil de vê-la, meus olhos brilhavam ao sentir que o momento estava chegando, que era questão de segundos ela entrar em sua sala e ver o bilhete.

Então quando ela chegou em sua sala, as garotas começaram a se aglomerar em volta dela, parecia ate um comício de político, fiquei olhando de longe, até que entrei rapidamente para a sala.

No bilhete estava escrito:

“Preciso urgentemente falar com você, apareça no Centro de Pesquisa no intervalo”

Roia a unha tamanha era minha ansiedade, a única coisa que queria era dizer para ela quem eu sou e o que sentia. Então enquanto pensava nas inúmeras possibilidades mal pude notar que era hora do intervalo. Corri para o centro como se minha vida dependesse disso, então ela estava parada bem em frente de braços cruzados, olhando para os lados, então eu cheguei perto dela, aproveitando que estávamos de bem na realidade e então perguntei.

— Está esperando alguém? —, apareci de surpresa chegando do lado dela.

— Ai, que susto! Idiota! Estou sim —, dizia ela com um enorme sorriso no rosto.

— Eu vou fazer um trabalho, por que você não entra também e espera? —, propus a ela.

— Tudo bem, afinal se ele quer tanto me ver, ele que venha atrás!

— Hmmm! Então é um admirador secreto, que fofo! —, disse em um tom irônico!

— É o que vou descobrir! —, disse ela enquanto procurávamos um lugar para nos sentarmos. Dei sorte, pois o centro estava lotado e havia somente dois lugares um bem distante do outro.

— Boa sorte com o seu “amigo”! —, disse a ela com um sorriso que não deve ter saído muito bem, afinal ficava cada vez mais difícil fingir que estava tudo bem.

Entrei no MSN com meu falso nome, ao mesmo tempo em que ela aparecia na janelinha do MSN.

— Oi Sofia, não imaginei que a veria tão cedo, aconteceu alguma coisa?

— Não, é que alguém ficou de me ver aqui na sala de computação e eu estou esperando.

— Entendi, alias falando em salas, qual o nome da faculdade que você faz?

— Anhembi Morumbi, por quê?

— Sério! É que meu vizinho faz faculdade na mesma que a sua.

— É mesmo? E como ele se chama?

— Rafael!

— Conheço um sim, você tem o Orkut dele pra eu ver se é o mesmo que eu conheço?

— Tenho sim! Já vou te mandar...

Entre as conversas observava sua reação tentando ver se ela percebera algo de estranho.

— Chegou? —, gritei para ela.

— Não! Acho que não vem mais.

Entrei no meu próprio perfil e continuei a conversa.

— Ahhh sacana! Ele viu o meu poema no meu e copiou!

— Conheço sim! Ele não tem jeito mesmo, deve conquistar as garotas com frases de filmes. Vou aproveitar e dar uma bronca já que ele está bem perto de mim!

Era chegado o momento, a cada passo em que ela se aproximava meu coração disparava, e meus olhos começavam a tremular, e naturalmente começaram a ficar vermelhos, com as lagrimas já transbordando a ponto de deslizar pelo rosto, então quando ela se aproximou.

— Rafael! O que aconteceu? Porque você está chorando?

Apontei para o computador, enquanto as palavras não saiam, o queixo tremia, e uma dor muscular começava a vir, e fui embora.

Então ela olha no computador e nele estava a janela do MSN aberta com um recado no “Bloco de Notas”:

“Sinto muito, pensei que era mais forte, pensei que poderia falar o que pensava, queria me revelar, mas desde o nosso primeiro contato, descobri que você era diferente, a cada conversa com meu fake, a cada vez que você me afrontava isso acabou me atraindo, não sexualmente, mas sim de um jeito”

Não consegui terminar o que tinha escrito, pois ela estava chegando, e o pior é que deixei meu teclado sujo de lágrimas.

Fui embora o mais rápido que pude, sem me importar com as aulas seguintes.

Nesse dia, não quis ligar o computador só tentar dormir o mais depressa possível.

O som daquela noite era “Dream Was – My Will”.

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