Já era segunda-feira, levantei com pressa, estava disposto, tomei um bom banho morno, escovei meus dentes, olhava no espelho tentando encontrar algum pelo solto em meu rosto, não achei nenhum então passei desodorante e um perfume e desci as escadas.
— Uau! Você está lindo filho!
— Lindo? Não! Feliz! —, estava apaixonado, por aqueles olhos esmeralda, por aquele sorriso deslumbrante, por aquela voz doce, mas apesar da questão estética, o que mais adorava era nossa conversa como se nos conhecêssemos há muito tempo.
— Que bom, agora se apressa senão você vai se atrasar!
— Pode deixar tia!
— Ah, moleque! —, dizia ela em meios a risadas.
Cheguei no serviço e meu chefe já veio me perguntando.
— Tá feliz hein, bicho, que aconteceu?
— Nada não! —, dizia enquanto mandava um sorriso largo.
— Deixa quieto, vou fazer umas entregas, vou demorar um pouco, você agüenta as pontas?
— Claro pode deixar comigo!
Então lá se ia meu chefe fazer suas entregas, eis que surge Sofia.
— Olá, você é novo por aqui? —, disse ela aos sorrisos.
— Sou sim, mas acho que já vi você em algum lugar! —, respondi mutuamente com um imenso sorriso.
— Quatro pãezinhos, por favor, moço!
— Além de linda a senhorita é educada!
Fui pegar seus pãezinhos, logo voltei ao balcão para entregar em suas mãos.
— Obrigada cavalheiro!
Me apoiei no balcão inclinando-me para mais perto dela e falei.
— Não agüento mais esse joguinho, isso está me matando! Eu queria só um beijo para o meu dia ser mais feliz! —, disse a ela enquanto fazia biquinho.
Ela parou por alguns segundos, colocou seu dedo indicador no queixo como se estivesse pensando, então olhou rapidamente para mim.
— É claro que sim! —, então me deu um selinho enquanto segurava meu rosto com as duas mãos. — Amei o recado que você me deixou muito obrigada, espero que você seja tudo isso mesmo. Vejo você na faculdade?
— Claro que sim, não perderia isso por nada, agora só uma pergunta, sou novo nisso nós estamos ficando ou já posso considerar algo mais sério? —, disse enquanto segurava em suas mãos.
— Depois de tudo o que você me falou ontem você acha que isso é só uma ficada? —, disse ela em um tom bravo enrijecendo sua face.
Trinquei os dentes, pensando que a tinha ofendido.
— Tô brincando bobinho, é claro que é namoro! —, disse ela enquanto rachava o bico.
— Ufa! Você me assustou, então até a faculdade! —, falei em um tom de alívio, nunca me importei muito com os sentimentos das garotas, mas com ela eu tinha essa preocupação, não queria machucá-la, ferir seus sentimentos.
Sofia já estava perto da calçada que fazia a divisão entre a rua e o piso da mercearia.
— Aliás, adorei que você passou gloss hoje, tem um gosto especial!
— Obrigada, muito gentil de sua parte!
No mesmo momento em que meu chefe chegava, ele então olhou para mim e fez uma careta.
— Ah! Então é por isso que você está tão feliz!
— Descobriu então! Bom já deixei tudo no jeito! —, ele então me liberou mais cedo hoje.
Esperei-a na entrada, então ela tinha chegado com seu irmão.
— Allan, este aqui é meu namorado, o Rafa. —, o irmão dela fez um daqueles olhares de desconfiados, o cara era enorme tinha acho que 1,90m e tinha músculos do tamanho de montanhas.
— Rafa? Já estão com toda essa intimidade? —, falava ele em um tom ameaçador me encarando.
— Pega leve Allan! Você vai ter que conviver com isso! —, disse Sofia enquanto se colocava no meio de nós dois, era claro o clima de tensão que estava acontecendo naquele momento.
— Você quem sabe, viu o que aquele filho da puta fez com você!
— A vida é minha eu tenho que aprender com meus próprios erros, e ele me diz coisas que não são clichês dos garotos comuns! —, gritava Sofia enquanto pegava em minha mão.
— É claro, ele só quer ir prá cama com você! Mas deixa prá lá, já vi que essa discussão não vai levar em nada! —, Allan chegou perto de mim apontando o dedo em minha cara.
— É bom tratá-la bem, meu camarada senão eu te arrebento!
Olhei friamente para ele direto nos olhos e fiz um sinal de positivo. Enquanto Allan batia a porta do carro e saía em disparada.
— Seu irmão é muito educado, quase um lorde! —, dizia enquanto sorria para ela.
— Ele não é tão diferente de você, apesar de ter esse jeito de valentão tem um coração de ouro! —, dizia ela enquanto erguia seu pescoço para olhar mais perto em meus olhos.
— Obrigado pelo elogio, mas é como dizem ele pode ser grande, mas não é dois e eu sou pequeno mas não sou metade! —, gargalhava enquanto subíamos as escadas de mãos dadas.
— Olha que bonitinho a peruazinha e o padeiro! —, disse Alissa enquanto caminhávamos em direção ao cinzerão. Ainda ouvíamos comentários sobre a brincadeira de mau gosto que aconteceu. Parei em frente dela e disse.
— Sabe, apesar de você ser a mais desejada da faculdade, e tudo mais, sua beleza é superficial, por dentro seu pulmão está pior que uma massa de pão, do jeito que você bebe, não vai passar dos 40, então aproveite bem seus anos de beleza, tenho pena de você, se acha popular mais no fundo é sozinha, também já fui assim algum dia, espero que você melhore sua atitude o mais rápido possível, até mais! —, disse a ela enquanto voltava a caminhar com Sofia, enquanto fazia um sinal de despedida para Alissa.
Sentamos no cinzerão, abri minha mochila e peguei um pequeno presente embrulhado em um papel verde com uma fita rosa, e entreguei a ela.
— O que é isso? —, disse Sofia surpresa.
— Isso se chama presente, é uma forma das pessoas demonstrarem carinho por aquelas que se tem apreço. —, dizia enquanto ela me dava um leve tapa em meu ombro. — Pode abrir, espero que você goste.
— Ai idiota! Obrigada! É lindo! — Vou por agora mesmo.
O presente era uma tornozeleira, gentilmente me ofereci para desprender o feixe, e então coloquei em seu tornozelo.
— Ficou lindo! Adoro pés femininos. —, exclamei enquanto acariciava sua perna.
— E os meus são bonitos?
— São maravilhosos, o formato, a maciez, o alinhamento de seus dedos formado o “efeito escadinha”, ou seja, um dedo menor que o outro na ordem decrescente.
— Que observador! Já está na hora das aulas! Que pena! —, ela fazia um biquinho irresistível.
— Não resisto a esse biquinho, vem cá! —, simultaneamente colocamos nossas mãos um no pescoço do outro, eu com a mão esquerda e ela com a mão direita, enquanto nos beijávamos procurava tapeando a outra mão que sobrava, e quando a encontrei fiquei segurando.
— Não quero que nenhumas de suas mãos fiquem atadas quero sentir o calor das duas, pode dizer que sou egoísta não ligo!
— Que fofo! Nunca fui tratada tão bem, obrigada! Agora tenho que ir te vejo no intervalo.
Após me despedir de Sofia fui até a sala, torcendo para que o intervalo chegasse logo.
— E aí cara, é sério mesmo então? —, perguntou um de meus amigos.
— É sim, sei que parece difícil de acreditar, mas eu estou amando ela sim!
Todos da sala estavam me olhando estranho, como se fosse um Rafael de uma dimensão paralela, não ligava apenas sorri e prestei atenção na aula.
O intervalo chegou, e Sofia estava sentada na cantina com suas amigas, avistei-a e podia ouvir de longe suas amigas me elogiando e suspirando.
— Olá garotas tudo bem? —, cumprimentando uma por uma.
— Tudo —, diziam elas timidamente.
— Bom, So, a gente vai deixar o casal a sós agora.
Elas se despediram de nós e então me sentei de frente para Sofia.
— Estica sua mão quero pegar nelas, por favor? —, pedia a ela.
Ela torceu um pouco o pescoço com uma risadinha e depois estendeu suas mãos.
— Ah, bem melhor que ficar segurando as folhas A3!
— Err, besta! E ai, está tudo bem?
— Agora sim, te fazer um convite!
— Convite? Qual seria? —, Sofia me olhava com cara de surpresa.
— Tá afim de ir para a praia comigo?
Então ela olhou para mim, com um olhar de desconfiança e disse.
— Mas você não acha que está muito rápido!
— Eu sei, mas olha só, entendo a sua preocupação, mas isso seria uma forma de provar para você, e para mim mesmo que eu a mereço, é que eu estou cansado da cidade, queria conversar com você em um lugar melhor, por favor? —, implorava para ela.
— Bom, ainda estou meio preocupada com tudo isso, mas vou aceitar sua proposta, afinal é uma forma de descobrir se você vale a pena ou não.
— Obrigado, eu não vou decepcioná-la. Alias vou pedir para minha mãe ir junto tenho certeza que ela vai achar estranho, mas é sempre bom para o caso de algo “der errado” ela esteja lá para me repreender.
— Isso! É melhor assim! Quando vamos? —, Sofia parecia ter gostado de minha idéia, afinal não queria de jeito nenhum fazer com que ela pensasse que sou um cafajeste que só quer fazer sexo.
— Esse fim de semana está bom para você? —, dizia na medida em que me levantava para ficar atrás dela e assim envolver seu pescoço com meus braços.
— Está sim! Obrigada por essa preocupação! Sabe, cada vez que converso com você me surpreendo mais com sua maturidade, e com sua preocupação com meu bem-estar, se tivesse conhecido você antes, seria maravilhoso!
— Ainda bem que nos conhecemos a tempo! Vou contar os dias para chegar o fim de semana bem que podia ser amanhã! —, então me inclinei e fiquei bem perto de seu ouvido.
— E sinceramente, estou muito curioso para te ver de biquíni! —, disse enquanto beijava seu pescoço perfumado.
— Tarado! —, cochichava no meu ouvido.
— Falando sério, amor, eu fico curioso mesmo, você deve ficar linda!
— Você me chamou de amor, que fofo! Eu também não vejo a hora de ver esse seu corpitcho. —, então nos despedimos ali mesmo com a minha vontade incessante de chegar o fim de semana logo.
Em casa, perguntei a minha mãe se ela poderia ir junto comigo.
— Claro que sim, é até melhor que tenha um adulto responsável por lá, não é mesmo?
— Ei, eu sou adulto e sou responsável também! —, exclamei fazendo uma careta, e em seguida dei uma risada.
Então estava tudo certo, no fim de semana seria a minha primeira viagem junto de meu amor.
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Há 8 anos
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