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8 de dez. de 2009

Capítulo 3 - Ambigüidade

Terça-feira mesma rotina, trabalho e estudo, dessa vez Sofia não apareceu, mas o dia anterior ainda estava em minha cabeça.
Após tediosas horas de serviço, era chegada hora de estudar, lá encontrei com os veteranos.

— Fala Rafael! Vamos pro bar depois das aulas? —, perguntou Alex.
— Valeu cara, mas tenho que chegar cedo.
— Se o problema for carona, eu te dou uma lá na sua cidade já é tudo asfaltado né? —, gargalhei bastante enquanto ele fazia a velha piadinha da selva.
— Lógico que sim, Mané! Brigadão mesmo, mas eu tenho que estudar para uma prova! —, fui logo dando uma desculpa.
— É do Betão a prova? Esse cara não dá sossego mesmo! —, disse Alberto.
— Deixa eu ir prá sala, senão o coro come! —, e depois de um rápido aperto de mãos fui em direção a sala.
Um mês, já se tem uma noção de como é a faculdade, claro que tudo muda na tão temida semana de provas, então o resto do ano é mais sossegado, com um trabalhinho aqui outro ali, sei que é só fazer a minha parte, que no final do ano eu passo com mais facilidade.
E como era começo de ano, era só matéria passada como slides de Power Point, e ainda mais os professores as colocariam no web site da faculdade.
Então aproveitei, e fiquei na sala de computação, entrei no meu Orkut, e comecei a olhar as comunidades de Sofia.
A cada olhada, era um sorriso atrás do outro, seu e-mail para contato estava em sua página, anotei-o na última folha de meu caderno. E então comecei a pensar em uma forma de manter contato com ela no MSN.
O intervalo tinha acabado, e então se foram as duas últimas aulas do dia.

Enquanto a van fazia o habitual caminho para casa, ainda estava processando uma idéia de convencê-la a me adicionar. Então achei que a melhor maneira de fazê-la era se passando por outra pessoa, inventando uma historinha de que eu conhecia uma das amigas dela, e que achei interessantes suas comunidades no Orkut e tudo mais, torcendo para que ela não tenha habilitado aquela opção de visualizador de perfil. Ao mesmo tempo em que tocava “Strike – Aquela História”, em sua versão acústica, e imediatamente em alguns fragmentos da música principalmente seu refrão me faziam ficar com mais pressa de querer chegar em casa para conversar com ela.
Era engraçado e estranho, nos meus tempos de colégio eu nunca pensava nas coisas em que falava, saía tudo naturalmente, e talvez por sorte ou não todos riam de mim, existiam as garotas tímidas, e aquelas que não provinham de uma beleza, mas ainda assim suspiravam quando eu entrava na sala.

Chegando em casa, cumprimentei minha mãe e subi as escadas correndo.
— Você não vai jantar? —, gritava ela enquanto subia degrau a degrau.
— Agora não, preciso fazer algo, mas pode deixar minha comida no microondas.
Com tamanha velocidade joguei minha mochila na cama, dessa vez ela ficou imersa na cama, e então liguei meu computador. Já fui ao site do hotmail criar uma nova conta afinal, ela não deveria saber de forma alguma quem eu era.
Então depois de preencher aqueles dados e criar minha senha loguei no MSN, e já fui adicionando dizendo que uma das amigas dela morava perto de mim, e que eu tinha achado ela interessante, e que gostaria de discutir algumas coisas com ela.

Com uma certa ansiedade esperei, depois de alguns minutos imaginei que ela estaria muito cansada para entrar no MSN, mas para minha surpresa ela me adicionou e mais do que depressa mudei a minha imagem de exibição para aquelas palmeiras do MSN.

— Oi, você queria falar comigo? —, disse ela.
Sua imagem de exibição era uma foto dela piscando, fazendo aquele sinal de paz e amor, estava com o cabelo preso, uma camisa bem simples de alça, parecia mais com um pijama.
— Oi, tudo bom? Então eu só conheço de vista a Laura, e um dia eu olhei no Orkut dela e vi você, acabei entrando no seu perfil e vi suas comunidades, e encontrei bastante delas que tem a ver comigo.
— Você não tem foto? —, já foi ela perguntando, acho que nem prestou muita atenção no que eu tinha escrito, pensando que eu era mais um desses caras que querem apenas namoro.
— Não, é que acabei de formatar o PC.
— Ah, olha Carlos, se você está querendo alguma coisa comigo, já vou te avisando que não estou procurando ninguém no momento.
— Desculpa, só achei que alguém com tamanha auto-critica, alguém que não se influencia por outras pessoas, alguém que gosta de ler bastantes autores como Machado de Assis, Mario Quintana, Oscar Wilde, deve ter algo a mais, ao contrario do mundo atual aonde a vulgaridade, e a falta de censura é que criam a falsa idéia de estar se fazendo algo legal, de estar sendo bacana com os outros —, joguei um verde para colher maduro, mas confesso que nunca tive de pensar tanto para dar uma resposta dessas.
— Eu que peço perdão, é que acabei de sair de um relacionamento, e ainda estou um pouco abalada com tudo o que está acontecendo. Brigada pelo elogio, e você os lê tbm?
— Nem, na verdade eu sou meio preguiçoso, mas achei interessante uma garota tão jovem se interessar por autores interessantes, sabendo que hoje em dia se tem muito marketing em relação a autores. É que as vezes tenho um preconceito de que num vou entender a linguagem deles.
— Do jeito que você escreve, parece ser um garoto inteligente e educado, ao contrário de um que tem na minha faculdade, acredito que você consiga ler sim, se quiser eu até indico alguns. E musica do que você gosta?
Enquanto ela dizia essas coisas, comecei a dar risada já imaginando que se revelasse minha identidade, ela iria bloquear-me imediatamente.
— Sou bem eclético, gosto de tudo, mas sempre tive vergonha de demonstrar meus gostos musicais com medo de ser aloprado. Mas respondendo a sua pergunta eu gosto de musicas atuais, e também das antigas principalmente as românticas, gosto de Laura Pausini, adoro as musicas da minha, quero dizer nossa infância, como TV Colosso, do Carrossel, e dos chamados animes tbm, são coisas que eu tenho vergonha de contar, afinal aqui no Brasil isso é considerado coisa infantil, de quem é “imaturo” pelo menos é o que os “maduros” usuários de drogas, e que bebem aos montes parecendo animais achando que estão arrasando. Desculpe, nem sei se você bebe cerveja ou fuma, mas infelizmente é o que penso.
— Tudo bem, eu sou “saudável”, mas concordo com você os valores de hoje em dia estão em uma direção um tanto quato errada, mas devido a essa questão de ser popular de ser bacana, não que os pais, tenham dado uma estrutura familiar adequada, mas os jovens se sentem nessa obrigação de se sentirem descolados.

Fiquei espantado com a forma em que ela organizava seus pensamentos e na sua firmeza e convicção em cada palavra que saía de sua “boca”. E ironicamente seus pensamentos e suas idéias complementavam com as minhas apesar de eu sempre ser tudo o que ela parecia mais detestar, sempre quis que tivesse alguma garota que me afrontasse que me fizesse pensar cuidadosamente cada palavra na qual diria a seguir.

— Bom estou indo dormir, obrigada pelo papo cabeça de hoje, há temos não tinha uma conversa assim, principalmente com um garoto. Bjos.
— Eu que agradeço, alem de você ser linda, é inteligente também, já vi que não mentiu quando participou daquela comunidade “Linda e Inteligente”. Bjos, e espero ter a oportunidade de conversar mais com você.

Desliguei o computador e fui me deitar, agora com a certeza de que tinha encontrado alguém capaz de não apenas respeitar minhas reais idéias, meus sentimentos sobre as coisas do mundo, dos meus gostos, mas sim alguém que me entendia, mas havia dois problemas, o primeiro que ela não sabia que era eu quem estava conversando com ela e o outro que ela acabara de sair de um relacionamento e que eu teria de me desdobrar para convencê-la a ficar comigo, ficar não, namorar comigo.
— Namorar? —, disse com um sorriso, levantando as sobrancelhas e enrijecendo a testa como se estivesse confuso.
— É, namorar!

Fui dormir ao som de “Air Supply – Makin Love Out Of Nothing At All”. Que de certa forma tinha algo a ver com o que aconteceu a instantes atras.

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