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15 de dez. de 2009

Capítulo 10 – Despedida!

Não conseguia acreditar, fiquei sem dormir naquela noite.
Comecei a pensar em meus amigos, em minha namorada e em minha mãe.
Acordei cedo e fui trabalhar.
— Chefe, preciso falar com você.
— Pode ser depois do horário?
— Claro que sim.
Quando acabou o horário, disse a ele que precisava me demitir.
— Como assim?
— Não fale a ninguém, mas estou muito doente e só tenho mais três meses de vida. Mas por favor não conte a ninguém, muito menos a Sofia.
— Tá certo, essa me pegou de surpresa, nem sei o que dizer, mas se você vai partir dessa pra melhor só daqui a três meses, por que você esta se demitindo tão cedo?
— Quero aproveitar a vida, aproveitar meus amigos o máximo que puder, aproveitar cada centelha de vida que ainda tenho. —, estava com lágrimas nos olhos só de pensar como seria difícil falar com Sofia, criamos um elo muito forte entre nós.
— Bom, foi um prazer conhecê-lo.
— O mesmo, quero “vê-lo” em meu funeral —, disse a ele tentando descontrair um pouco, afinal além de chefe tínhamos nos tornado amigos. Ele mostrou um sorriso amarelo, nem preciso dizer que fui infeliz tentando animá-lo.

Como já não tinha mais emprego, fui até o banco retirar todo meu dinheiro, e o de minha poupança, fui até a faculdade cancelar minha matricula, não valeriam mais nada o mês de fevereiro, afinal estaria morto mesmo.
Fiz um trato com Sofia, disse a ela que queria ficar mais tempo com meus amigos um mês, com a desculpa de que estávamos muito juntos e achei que precisávamos ver mais nossos amigos, já que o mês de dezembro era o melhor, mas que em janeiro eu viajaria com ela para a Europa.

Convidei alguns amigos da minha faculdade para conhecer melhor meus velhos amigos, e durante o mês inteiro de dezembro viajamos pelo Brasil inteiro, parecíamos estudantes prestes a concluir o ano colegial que viajavam para Porto Seguro, com uma mochila amarela.
A primeira pergunta que me faziam era do por que não trouxe Sofia junto, expliquei a eles do nosso trato. Passamos o réveillon no Balneário Camboriu, os fogos de artifícios eram lindos com seus reflexos aparecendo na água límpida da praia. Liguei para Sofia do celular de Fabio e a desejei um Feliz Ano Novo, e que estava sentindo sua falta. A resposta dela foi recíproca, e fiquei pensando comigo, que não teria um Ano Novo, somente alguns Meses Novos.
Chamei Fabio de lado e disse que precisava falar seriamente com ele.

— Cara, preciso de uma ajuda!
— Pode falar Rafa!
— Não fale para ninguém, mas eu estou com câncer e já está em um estágio avançado, não tenho mais chances, quero que você grave um vídeo e poste no You Tube, somente no momento em que eu morrer, e outra coisa não fale nada para Sofia.
— Ta de tiração comigo?
— Sei que adorava zoar, mas é sério senão teria chamado Sofia para vir aqui eu amo aquela garota, e é por isso mesmo que ela só saiba no momento certo.
— Mas você nem vai contar prá ela?
— Não! Temo pela vida dela, mesmo se de repente ela disser que não morreria por mim ainda não posso correr o risco, afinal não vou estar mais aqui para vigiar seus passos, quero que ela tenha um futuro, não quero que ela se suicide por mim. Por isso vou terminar com ela, no momento final de meus dias.
— Ficou louco? Bebeu? Cheirou? Você vai decepcioná-la do mesmo jeito.
— Sei que sim, por isso vou terminar de uma forma que ela não queira nem me ver nem saber dos meus amigos, mas infelizmente com essa Internet e tudo mais, imagino que a verdade virá à tona mais rápido, já estou imaginando ela se desesperando jogando todas as nossas lembranças fora, xingando-me aos montes, e então ela começa a ir no Orkut e então vê uma imagem de perfil toda preta dizendo Luto em seu nick, então descobrira o verdadeiro motivo. Por isso quero que você faça esse vídeo comigo.
— Então por isso que você gastou aos montes com essa viagem! Tá certo vou te ajudar mas se ela vir me perguntar algo eu vou falar hein?
— Valeu cara, quando eu partir, vou falar para o Yusuke que você é um grande fã dele. —, Yusuke é um personagem de um anime que o Fabio adora, e este cara vive indo e vindo para o “Mundo Espiritual”.
Fabio deu sua velha gargalhada, e então no outro dia pegamos o avião de volta para casa. Nos despedimos e cada um foi para sua casa, Fabio me deu um efusivo abraço, era o único que sabia e havia pedido para guardar segredo.

Cheguei em casa, minha mãe tinha deixado minhas malas em cima da cama, já estava tudo arrumado.
— Tem um estojo de maquiagem dentro. —, ela me alertava.
— Estojo? Ficou doida?
Ela levanta-se com um espelho de mão apontado para mim, estava com olheiras e com a cara pálida, a doença começava a se espalhar. Então entre lágrimas nos despedimos.
— Eu vou voltar mãe não precisa ficar assim!
Ela assentiu com a cabeça e então fui até a casa de Sofia.

Pegamos um taxi, até o aeroporto.
— Estava com saudades amor, estou tão ansiosa por essa viagem! O que houve com seu rosto?
Tinha me esquecido de passar maquiagem, então disse que não tinha dormido no réveillon.
Perguntei a ela como tinha sido suas férias, ela me disse com detalhes, que foram a um acampamento, a diversas festas, de debutantes, de fantasia, do brega, do pijama, etc. Disse inclusive que tentaram ficar com ela, mais de uma vez, porem ela se esquivou dizendo que estava comprometida, enquanto eu ria da situação.
— Que bom que se divertiu, fico feliz! Mas esses carinhas não são páreos para mim, era só eu mostrar o tamanho da minha “ferramenta” para eles, iam ver só.
— Duh, convencido! Pelo jeito você continua o mesmo! E as suas férias como foram? Já se encheu de mim?
— Claro que não minha “magrelinha”, foram boas, mas sempre que via os casais lembrava-me de você —, disse a ela enquanto fazia cara de pidão.
— Magrela o caramba! Bom... Antes magrela do que gorda! —, falava ela enquanto me sacudia.

Chegamos ao aeroporto, conversamos sobre as noticias que aconteceram durante o mês em que não nos vimos. Sobre as curiosidades dos países em que viajaríamos, ela sabia mais, pois sempre foi educada em escolas particulares.
Nosso avião chegou rápido, ela estava cansada, odiava acordar cedo e então brevemente dormiu aninhada a mim. Tentava esquecer que meus dias estavam contados, mas com ela ao lado era difícil justamente ela que seria a maior vítima de mim, vítima das minhas mentiras, mas não me importaria se ela me achasse o antagonista desta história, contanto que ela estivesse segura e se possível longe de mim. Cai no sono em um certo momento da viagem, quando acordamos o avião já havia chegado.

Nossa primeira parada seria na Itália, combinamos de ficar sete dias em cada país. Visitamos os mais variados pontos turísticos, o Coliseum, a Torre de Pisa, a cidade de Veneza, até mesmo lugares não tão conhecidos mundialmente como Villa Lante e o Palácio de Caserta. Nossa estadia lá foi maravilhosa, talvez a Itália fosse um dos lugares mais atrativos na questão de arquitetura em que iríamos, provamos a culinária italiana, já conhecida por nós, porém do jeito deles era bem melhor. Sempre tomando cuidado para me maquiar e fazia o maior esforço para não ter as crises de tosse que começaram a ficar cada vez mais constantes. Tiramos muitas fotos do lugar, com Sofia “metendo a mala” com seus óculos escuros, enquanto dizia que parecia uma perua. Mas depois o feitiço virou contra o feiticeiro e tive que por os meus, odiava utilizar qualquer tipo de acessório, desde relógio até óculos escuros, mas não pude negar que ficava um tesão com eles. Alem disso conhecemos as fabricas da Ferrari, Lamborghini, alem de passarmos em um shopping para Sofia comprar roupas de marcas famosas como Armani, bolsas da Prada, e calças Dolce & Gabbana.
Fiquei mais calmo, ao ver que Sofia não desconfiava de nada.

Próxima parada, Alemanha. Muro de Berlim, Museu da BMW e Catedral de Colónia foram alguns dos lugares em que fomos. O ponto mais forte da Alemanha eram suas festas, além das fábricas de cervejas. Sofia estava amando cada lugar, cada refeição, casa fotografia estava ansiosa, chegava a doer ver que eu a colocaria tão para baixo, e para piorar a tosse e os sintomas ficavam cada vez mais forte, agora o catarro começava a sair com sangue misturado.
— Amor, você esta bem?
— Deve ser o ar daqui, não precisa se preocupar. —, era tão doloroso mentir para aqueles olhos esmeralda.
Após esse pequeno imbróglio, chegamos até nosso próximo destino: Espanha.

Na Espanha conhecemos as cidades mais características como Madri e Barcelona, e aprendemos a dançar tango e bolero, e visitamos praias maravilhosas das quais não guardei o nome. Sofia estava no clima, treinando seu espanhol que aprendera nos tempos de escola. Coincidentemente na Espanha foi o lugar aonde fizemos amor loucamente de uma forma picante, e selvagem, parece que aquele país exalava sensualidade. Apesar da doença, me esforçava nas noites mais íntimas, para pelo menos proporcionar a ambos uma noite maravilhosa.

Último país foi a Inglaterra.
Visitamos as universidades de Oxford e Cambridge, vimos vários daqueles ônibus de dois andares, achamos engraçado os guardas com aqueles chapéus esquisitos, além da diferença entre o inglês falado aqui e o inglês que estávamos acostumados. Conhecemos a cidade aonde nasceram os Beatles, Liverpool, além da capital Londres e de Manchester. E depois era chegada hora de ir embora. Desta vez eu que dormi nos braços de Sofia, a preocupação tinha desaparecido. Os passeios foram tão intensos, divertidos e no final da noite o sexo fazia com que o dia ficasse perfeito.

Chegamos em casa por volta das 07:00 hrs, me despedi de Sofia, e chegando em casa disse a minha mãe que tínhamos de ver o médico o mais depressa possível, explicando a ela que os sintomas estavam ficando cada vez mais fortes.
Péssimas notícias, o médico disse que só teria mais uma semana de vida com muita sorte. Isso veio em péssima hora, queria prolongar o máximo possível até criar coragem e terminar com Sofia.

Sexta-feira, Sofia me liga querendo marcar algo, disse a ela que precisava falar com ela. O momento se aproximava, era doloroso só de pensar acho que isso é mais doloroso do que saber que iria morrer tão jovem. A cada placa indicando que estava mais perto de minha namorada, me achava um monstro, só imaginando sua reação, mas acreditava que aquilo era o certo a se fazer.
Cheguei em sua casa e ela estava linda, parecia impossível ficar mais linda do que naturalmente ela já era, sentia uma pontada em meu coração, não sabia se era sintoma do câncer, ou se era minha reação ao vê-la.
Sofia estava com um vestido roxo, com as alças na vertical, deixando seus ombros de fora, tinha passado o gloss sabor baunilha que tanto adorava, aplicou um batom cor de rosa claro em seus lábios. Estava simples, do jeito que eu tanto amava, ouvir sua voz flagelava meu coração aos poucos, saber que nossas últimas carícias foram naquela viagem.

Ela se aproximava de mim para me dar seu típico selinho, mas então virei a cara.
— O que aconteceu? —, dizia ela surpresa com minha atitude.
— Não estou sendo sincero com você. —, fechava minhas mãos em punhos enquanto desviava meu olhar dela.
— Aquelas férias com meus amigos, eu te trai, fiquei com uma garota, alem de ter ido para a cama com ela!
— Não acredito! Não é possível! E a nossa viagem, você fingiu o tempo todo também? —, dizia ela com uma de suas mãos na testa andando de um lado para o outro.
— Sim! —, ela mal deixou eu terminar, fez um olhar de raiva, avançou em cima de mim, me deu tapas, estávamos em frente a sua casa então Allan saiu para ver o que estava acontecendo.
— Esse filho de uma puta me traiu! —, dizia ela aos choros.
Agora estava ferrado, mal conseguia ficar de pé quanto mais agüentar a surra que iria tomar. Allan me espancou, acho que seu pudesse me mataria ali mesmo, sorte que uma pessoa viu e então alertou a polícia.
Não sentia nada, meus músculos não respondiam, quando minha visão começou a melhorar estava em uma cama de hospital com minha mãe segurando minha mão.
— O doutor veio aqui e disse que você esta piorando a cada momento, disse para tentar relaxar e não se esforçar tanto.
Minha hora estava chegando, a cada minuto que se passava sentia minha respiração desaparecendo, começava a pensar se havia feito a coisa certa e logo a música da “Mariah Carey & Westlife – Against All Odds”, vinha em minha cabeça, ou seja, abdicar da companhia de Sofia para que na hora em que descobrisse a verdade, seu sofrimento seria acalmado, talvez foi um erro essa minha escolha, mas não suportava a idéia dela acabar se suicidando por minha culpa. Imaginei como ela deveria estar se sentindo neste exato momento, arrancando tudo o que a fazia se lembrar de mim, arrancando com toda sua força o primeiro presente que dei a ela a tornozeleira.
— Obrigado mãe pelos conselhos, por ter me dado casa, comida e carinho, saiba que a senhora é uma verdadeira guerreira, sempre disposta a fazer suas coisinhas seja se preocupando com os detalhezinhos no Natal, pela sua disposição em pintar toda a casa, obrigado pela educação que me deu, e fez um ótimo trabalho enquanto o papai esteve fora, me desculpe se não passei tempo suficiente com você, gostaria de falar mais com você. — minha mãe não conseguia falar nada, seu rosto tinha ficado vermelho e as lágrimas caíam como uma correnteza. Sua mão me apertava com mais força, deve ser difícil para uma mãe ver um filho que ela tanto protegeu, ir embora antes dela, não ter mais ele por perto em seu aniversario, no Natal e no Ano Novo.
— Bom, minha hora está chegando, logo logo vou me encontrar com meu pai, se ver a Sofia novamente diga a ela que a amei como nunca havia amado ninguém, e que ela me transformou em um homem melhor, e peça desculpas por mim por toda a dor que a fiz causar! Adeus minha mãe querida! —, então fui fechando os olhos com um sorriso no rosto sabendo que tive uma vida maravilhosa, que apesar da doença me levar embora, tinha encontrado alguém que salvava minha vida a cada beijo a cada toque, a cada palavra que saia de sua boca. Então os momentos que passei com Sofia vieram a minha mente bem rapidamente, desde quando zombava dela, até o tour que fizemos pela Europa como um clipe e a musica que tocava em minha cabeça enquanto vagarosamente morria foi “Nickelback – Someday”.

Um comentário:

  1. Pabéns,você se dá muito bem com as palavras,com cada detalhe.
    Meus parabéns mesmo.Espero ler mais livros seus!

    Beijos (:

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