Primeiro fim de semana no período das aulas, os veteranos convidaram os calouros para aquelas típicas festas de confraternização, e claro que fui.
Chegando ao local, logo fui calorosamente cumprimentado e ovacionado pelos veteranos, afinal tinha me tornado um mito na faculdade.
— Sr. Intocável chegou! Pensei que você não viria cara! —, gritava lá no fundo um dos veteranos.
Olhei ao redor, havia muita gente, no meio havia uma espécie de palco, aonde tinha o DJ, provavelmente um cara que cursava Produção Musical. Na parte lateral, havia o espaço para a lareira, e no chão uma caixa de isopor com as latas de cerveja.
Avistei alguns dos bichos, sou bom em memória fotográfica, inclusive a garota que no dia do trote ficou sentada com suas amigas ouvindo Christina Milian. Naquele dia não consegui ver seu rosto muito bem, mas agora consegui ver claramente, e não somente o rosto, tinha olhos verdes claros, cabelos longos e lisos escuros, maxilar sensível, queixo nada robusto, maçãs do rosto bem corado, mal aparentava a idade que deveria ter uns 18 talvez, praticamente a mesma altura que a minha, além de um corpinho enxuto, magro, porém enxuto, mas nada se comparava as deusas que não se cansavam de dançar de um jeito muito sensual na festa.
Após alguns segundos, olhando para ela me lembrando da música que estava ouvindo no dia dei um breve sorriso torto e fui em direção da balada.
— Hmmm, acho que ele está afim de você hein Sofia? —, cutucou uma de suas amigas, enquanto eu me virava.
— Hmph! Eu não me atraio, por esse “tipinho” —, indagou-a sarcasticamente.
Entre uma golada de cerveja, e algumas baforadas de nicotina, os veteranos começaram a conversar sobre as expectativas para esse ano, já me dando algumas dicas dos professores que eu vou ter pela frente.
— Oi, então você que é o famoso Rafael! —, ouvi uma voz bem ao meu lado direito, na hora que olhei para ver quem era.
— Meu nome é Alissa, tudo bom? — se apresentou a garota enquanto me virava, e logo não pude acreditar no que estava vendo, uma loira, de cabelos compridos, olhos azuis que mais pareciam uma aurora boreal, seios grandes, provavelmente silicone e um bumbum grande e redondinho, talvez a garota mais linda e gostosa que eu já vi, até parecia ter saído de uma capa de revistas de biquíni. Ela vestia uma mini-blusa vermelha de seda, uma calça jeans que se ajustava muito bem em seu delicioso corpo, piercing no umbigo, e uma tatoo nas costas com um diabinho desenhado.
Com uma mão segurava o copo de cerveja e com a outra seu cigarro.
— Quer um gole? —, disse ela
— Não, obrigado, já tomei estou cheio —, na verdade não suporto o cheiro de cigarro, nem de bebida alcoólica, mas claro que se falasse a verdade seria alvo de brincadeiras.
— O que você acha se a gente der uma escapadinha daqui? —, sussurrou ela no meu ouvindo de uma maneira bem sensual.
Concordei, e fomos para um canto reservado da festa.
Ela já estava sob o efeito do álcool, e tive que segurá-la até nos apoiarmos na parede. Sem delongas começamos a nos beijar e entre um amasso e outro, podia sentir aquele bafo de cerveja misturado com nicotina contaminando minha garganta. Enquanto beijávamos, a música rolava solta ao som de música eletrônica, então depois de alguns minutos, disse a ela que precisava ir embora.
— Não, ainda não chegou nem na melhor p...baarrfff!!! — ela arrotava, de tão bêbada e cansada que estava.
Então o que eu já esperava aconteceu, ela começou a vomitar em cima de mim, ainda bem que estávamos em um lugar reservado, então a deixei sentada em um canto e fui embora.
Chegando em casa, minha mãe assustada me pergunta o que aconteceu.
— Uma garota vomitou em mim! —, gargalhei enquanto subia as escadas para o banheiro.
Após um belo banho. Liguei o computador, e comecei a procurar no Orkut a comunidade relacionada ao meu campus.
Então fui reconhecendo vários rostos, enquanto “adicionava” um a um, e curiosamente fuçava em suas comunidade, percebendo o quão diferente aquele grupo de pessoas era de mim, aos bocejos de sono, fui vendo as últimas páginas até encontrar “Sofia Vasconcelos”, hesitei um pouco, e até pensei em fazer uma visitinha em seu perfil.
— Ahhh, não estou com muito sono, ela nem é tão gata assim, nem vale a pena! —, pensei comigo mesmo e fui dormir.
No dia seguinte já era segunda-feira, o despertador toca às 06: 50 precisava me aprontar, pois começaria a trabalhar. Era na Barra Funda, após pegar uma Av. Goiás lotada graças à verticalização da cidade, consegui chegar em cima da hora até a estação de São Caetano.
O local de serviço era há uns 400 metros da estação, um mercadinho, precisava pagar a faculdade. Logo fui apresentado ao chefe e ele me explica que o serviço era bem simples, basicamente atender os telefonemas e organizar as prateleiras. Enquanto o tempo passava, fui reparando que praticamente não tínhamos muita clientela, e o pouco de pessoas que apareciam eram idosos, para comprar pão. Até que uma jovem moça adentra o mercado, e logo a reconheço, era Sofia.
Torci para que ela não me visse, com medo de ser alvo de piadas na faculdade, então ela se aproxima do balcão e pede quatro pãezinhos.
— Olá, seu nome é Sofia não é? —, perguntei a ela.
— Como você sabe? —, perguntou com cara de espanto.
— Sou eu, lá da faculdade, vi você na festa, me chamo Rafael! —, fui logo abrindo um largo sorriso — que bom encontrar alguém conhecido por aqui!
— Me desculpe, não conheço nenhum Rafael, muito menos da faculdade.
Não entendi aquela resposta, então tentei ligar os pontos e disse:
— Ah, entendi, você é daquelas que se envergonham quando vêem um cara de beleza tão rara e com uma alta popularidade como eu! —, disse a ela.
— Se popularidade você quer dizer as pessoas idosas que vêm comprar aqui então meus parabéns, mas não é isso que vai me intimidar não —, lançou um sorrisinho amarelo para mim — Além disso, você é muito convencido, só enxerga seu próprio umbigo, pessoas como você não tem caráter!
Então quando eu estava para responder algo, meu patrão chega e diz para tomar conta do caixa.
Sofia então se despede com um largo sorriso na cara. Isso estava começando a me intrigar, afinal nos tempos de colégio as garotas sempre caíam aos meus pés, mas é claro que eu sempre escolhia as mais bonitas. Pensei que na faculdade não iria ser diferente.
Cheguei em casa, o jantar já estava na mesa, cumprimentei minha mãe e comemos juntos.
— Então filho, já encontrou alguma garota especial na faculdade?
— Se com especial você quer dizer garotas lindas com corpos esculturais, então já achei várias!
— Você só pensa nisso não é? —, disse ela em um tom mais sério.
— Não é verdade, é que ainda não consegui ver nada de especial em nenhuma, sempre conversam sobre coisas fúteis e sem nenhuma cultura, parecem um bando de acéfalas, aliás, que lindas acéfalas —, disse intercalando com alguns sorrisos.
— Então nenhuma conseguiu conquistar seu coração, entendi.
— A janta estava boa, mãe, obrigado agora vou para a faculdade.
Depois de me despedir, esperei a van chegar, e fui estudar. Chegando lá Alissa estava me esperando com uma cara muito brava.
— Por que você me deixou jogada no chão? Ninguém me despensa não? —, gritava ela armando o maior barraco em frente à faculdade.
— Bom então parece que eu fui o primeiro! —, e simplesmente fui caminhando em direção a minha sala enquanto ela continuava falando bobagens.
Após a segunda aula, era hora do intervalo, então quando sai várias garotas começaram a me perguntar se eu tinha terminado com a Alissa.
— Como assim? Eu só fiquei com ela um dia, uma noite! Nunca rolou nada entre nós —, então elas começaram a me perguntar se eu estava disponível.
— Se vocês provarem que são capazes, quem sabe? — dei uma rápida piscada para elas e fui em direção da cantina. Enquanto pensava sobre a conversa que tive com minha mãe no jantar, ouvi uma voz falando comigo.
— Para quem fica atrás de um caixa de mercado, você até que é um bom ator, hein? —, reconheci aquela voz na hora, era Sofia estava de cabelo preso, com um vestido casual cinza e branco com estampas de flores.
— Você aqui, achei que não falava com pessoas iguais a mim?
— E não falo mesmo, mas não pude deixar de notar a pequena discussão que aconteceu na entrada. —, disse ela enquanto se dirigia para a mesa com suas amigas.
Esse dia estava um pouco cansado, então decidi comer sozinho, encontrei um guardanapo, e escrevi algo nele. Aproximei-me da mesa onde ela estava suas amigas suspiravam a cada passo que chegava mais perto delas e entreguei a ela meu guardanapo.
— Toma, sei que você é tímida demais para pedir a mim —, com um largo sorriso torto, na expectativa de sua resposta, ainda mais com suas amigas ao lado, com certeza com certa inveja dela naquele momento.
— Obrigada, estava precisando disso mesmo, vai ser muito útil para mim! —, disse ela em um tom agradável sorridente, e piscando o olho em minha direção, — Aliás, você poderia autografar mais destes guardanapos? —, perguntou ela.
— Entendi, que amiga caridosa você é, claro que assino!
Então ela olha bem nos meus olhos, com um sorriso bem largo, desvia o olhar em direção a seu próprio tronco, enquanto desliza sua língua de uma extremidade da boca à outra e diz.
— Ah, me desculpa! Acho que você entendeu errado, eu estou fazendo caridade alguma é que saindo daqui eu iria passar no supermercado para comprar algumas coisas para a minha república, mas já vi que não é preciso!
— Não entendi? E o que fazer compras tem a ver com mais guardanapos? —, perguntei fazendo cara de confuso.
— É que eu iria justamente para comprar papel higiênico, mas pelo que eu percebi não vou precisar, os guardanapos vão ser de bom uso! —, suas amigas olharam boquiabertas com tamanha barbaridade que Sofia havia dito.
Fiquei sem reação, uma coisa rara de se acontecer, então sai de lá o mais rápido possível e voltei para minha sala.
Tentei dispersar minhas idéias, mas a forma com que ela me tratou como literalmente um bosta, e então quando menos esperei já tinha acabado as aulas, e já estava chegando em casa. Quando começa a tocar uma música no rádio “Bruno Miguel – Faz Assim”, e então minha mente começou a ficar inquieta cheia de dúvidas. Chegando em casa deitei em minha cama, e depois de tanto filosofar comigo mesmo pensei.
— Ela deve ser uma daquelas, mal amadas que devem ter tomado chifre do namorado por isso estava ouvindo aquela música depressiva.
Então fui dormir com essa idéia na cabeça, mas o que realmente estava acontecendo era uma série de perguntas.
— Finalmente alguém que não me ache inabalável? Poderia ela aceitar-me como eu realmente sou? Só havia encontrado uma resposta, ela havia passado no meu teste, porém não sabia se isso era algo positivo ou negativo.
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Há 8 anos
uahauhauah,vai Sofiaa!
ResponderExcluirgarota de atitude,hahah gostei desse capítulo!